Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Robert Rodriguez, o homem que fez Frank Miller se tornar cineasta, fala à Trip sobre Sin City, o filme que deu movimento à obra-prima do gênio dos quadrinhos por Bruna Bittencourt Por que você escolheu adaptar Sin City entre tantas outras graphic novels? Como foi encontrar e convencer Frank Miller a deixar você filmar Sin City, algo que nem Spielberg conseguiu? O roteiro de Sin City é o de um filme noir. Você é um fã do gênero? E a idéia de filmar cada quadro da HQ? Você acha que Sin City é uma virada em sua carreira? Você acha que o crescente número de adaptações de HQ em Hollywood é um sinal da ausência de bons roteiros?
Frank Miller sempre rejeitou cineastas. Talvez por ser mestre em sua arte ? quadrinhos ? não acreditava em transformá-la em filmes. Disse não para propostas de Steven Spielberg e Sam Raimi rodarem sua obra. Mas mudou de idéia em cinco minutos olhando para o laptop de Robert Rodriguez. O diretor de El Mariachi e Um Drink no Inferno sabia que não bastaria simplesmente pedir a Frank para adaptar a clássica graphic novel Sin City.
Por isso preparou em vídeo uma amostra do que tinha em mente ? ser absolutamente fiel à HQ e filmar cada ângulo desenhado pelo artista. Sua pretensão deu tão certo que Frank topou co-dirigir o filme assim que acabou de ver o breve piloto. Rodriguez e Miller usaram apenas câmeras digitais de alta definição no set, e, como nos quadrinhos, quase tudo é em preto-e-branco, com um ou outro detalhe colorido. No elenco, Bruce Willis, Benício Del Toro, Jéssica Alba e o desenterrado Mickey Rourke. A bagatela de US$ 45 milhões gastos já renderam US$ 73 milhões em 11 semanas de exibição nos EUA. A dupla já prepara o segundo da série e Frank prometeu um roteiro inédito da Cidade do Pecado para um terceiro episódio.
O filme que estréiou no Brasil no fim de julho é considerado uma revolução cinematográfica. Rodriguez redescobriu como filmar HQs e, também, conseguiu provar que câmeras digitais podem ser tão, ou mais, dramáticas quanto a película. Trip trocou umas palavras com Robert Rodriguez, o homem que transformou um clássico dos quadrinhos em um novo clássico do cinema.
Sempre admirei os diferentes tipos de quadrinhos, mas o trabalho de Frank simplesmente me derrubou. E Sin City tem o melhor traço que já vi. A forma como Frank usa apenas preto-e-branco, muito ocasionalmente outras cores, é inacreditavelmente detalhada. Era pura linguagem de filme noir, como eu nunca vi, com exceção dos filmes das décadas de 40 e 50. Comprei o primeiro episódio de Sin City em 1991 para aprender e alcançar sua arte. Na época, eu fazia uma tira de quadrinhos para um jornal.
Esperei até que a tecnologia do cinema se equiparasse ao trabalho de Frank. E me certifiquei de que eu tivesse muito conhe-cimento sobre efeitos especiais antes de procurá-lo. Então, filmei um pequeno teste com as novas câmeras de alta definição para mostrar a ele que podíamos fazer o filme exatamente como são suas imagens. Frank fez comigo a seqüência de abertura do filme, assim ele pôde entender como seria. Frank assinou depois disso.
Eu amo filmes dessa época. Sempre quis fazer o meu Kiss Me Deadly [A Morte num Beijo, de Robert Aldrich, 1955] e sabia que filmar Sin City seria a melhor forma de o público de hoje se interessar em assistir a um filme em preto-e-branco com diálogos noir.
Esse sempre foi o plano. A HQ Sin City era o melhor filme escrito, dirigido, fotografado que nunca tinha chegado às telas. Conheço muito sobre efeitos visuais e os testes nos convenceram de que poderíamos fazer algo único e, ao mesmo tempo, fiel ao material original.
Minha carreira sempre foi uma escalada passo a passo. Inconscientemente, me preparei tecnicamente para fazer Sin City. Eu acho que é um marco no cinema porque mostramos para as pessoas aonde filmes com câmeras de alta definição podem chegar. É uma época excitante na indústria porque, mais do que nunca, existem escolhas. Filmar em película não é o único caminho.
Não sei se há uma ausência de bons roteiros porque tendo a criar meus próprios projetos e roteiros. Mas acho que as adaptações de quadrinhos são uma aposta certa para gerar outros filmes em série bem-sucedidos em Hollywood. Fazer filmes é uma aventura arriscada, uma vez que nunca se sabe se o público irá querer acompanhá-lo. Essa é a razão pela qual mantenho meus filmes com um orçamento administrável, no qual sei que o estúdio terá o dinheiro que investiu de volta. Sin City é repleto de efeitos especiais e grandes atores e custou US$ 45 milhões. Conseguimos pagá-lo com a bilhe-teria de dez dias de exibição.
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