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Bruno Mazzeo

Ator e roteirista fala sobre ascensão a astro da TV e critica indústria das celebridades

Bruno Mazzeo

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Com 20 anos de carreira na televisão, é estranho pensar que ele é considerado um representante da nova geração do humor brasileiro, mas também não deixa de ser verdade. Roteirista, produtor, ator e direto, desde os 11 anos já dava entrevista e contava piada no programa do Jô Soares, na época, ainda no SBT. Aos 14 começou a escrever os primeiros textos para a Rede Globo, primeiro para o programa Escolinha do Professor Raimundo e depois para o Chico Total, Sai de Baixo, A Diarista e, mais recentemente, para o Junto e Misturado.

Embora seus textos já fizessem muito sucesso, ele permanecia quase um anônimo para o público, situação que começou a mudar em 2005, quando estreou, como roteirista e ator, o Cilada, originalmente transmitido pelo canal Multishow, que colecionou uma série de prêmios, virou quadro do Fantástico em 2009 e acaba de se transformar em filme, o Cilada.com que deve ser lançado em julho deste ano. No Trip FM desta semana, recebemos Bruno Mazzeo, filho do humorista Chico Anysio com a atriz Alcione Mazzeo, que fala sobre a sua já longa carreira, os planos para o futuro e até sobre a experiência de dublar um limão em um comercial.

“Sim, era eu mesmo. Foi para um comercial de refrigerante. Eu fiz a voz de um dos limões e o Lúcio Mauro Filho foi o outro limão”, ri Bruno durante a entrevista em nossos estúdios. “Era um comercial de sucesso, os limões viraram até chaveirinho e tudo.”

E os tempos de anonimato, de voz em limão, passaram em um piscar de olhos para Bruno. Desde sua transformação de roteirista em ator, Bruno teve de aprendar a lidar com o crescente assédio e com o fato de que uma tarde tomando sorvete com sua namorada pode facilmente se tornar em um bloco inteiro em um programa de notícias sobre celebridades. Na entrevista, Bruno comentou com o bom humor habitual as saias-justas pelas quais ja teve de se espremer desde que seu rosto ficou conhecido na telinha.

“Na verdade, eu comecei a botar a cara na TV há uns cinco ou seis anos, mas isso começou a acontecer só de uns dois anos pra cá e se intensificou de janeiro pra cá. E o assédio se intensificou justamente com essa indústria cafona que cresce cada vez mais. Eu achei no começo que eu ia passar tranquilamente por isso, já por ser filho de artista e tudo mais, eu pensei que já estava acostumado com isso. mas não foi bem assim. Quando eu vi eu já estava tendo que surfar um tsunami e remar de volta pra não ser levado pra dentro. Tem uma hora que a gente tem que parar e se colocar, para entender como é que funciona essa engrenagem.”

Na conversa, Bruno também comentou o artigo Quem Perdeu o Controle, publicado na edição de maio da revista Trip. Escrito pelo ator Fabio Assunção, que passou por um período difícil depois que a mídia transformou em circo o problema com drogas pelo qual passou o galã global. Para Bruno, o artigo exemplifica bem a relação pouco saudavel entre a mídia especializada em celebridades e as próprias celebridades. 

“Eu achei incrível esse texto. Acho incrível que tenha partido do Fábio, que é um artista, um galã de novela das oito, o que é o supra sumo da ‘galanzice’ brasileira, e que passou por problemas que todos sabem e todos acompanharam. Problemas os quais nem ele próprio quis esconder, muito pelo contrário. Isso foi muito corajoso da parte dele. Então foi muito bom que o artigo foi escrito por ele: uma vítima profunda dessa indústria e que passou por problemas muito mais profundos do que qualquer um de nós. É essa coisa da vida pessoal tomar o lugar do trabalho artístico que eu acho impressionante.”

“Então é assim. Seu programa vai pra festivais em Budapeste ou Barcelona como um show de formato inovador, sendo visto por produtores do mundo todo e isso não é notícia. Mas o sorvete que eu tomo com a minha namorada dá a opção de você saber em vinte sites diferentes”, cravou Bruno. “Essa indústria, eles criam o que eles querem. Eles pegam uma foto tirada na padaria e criam todo um roteiro em cima daquilo. E eles não sabem o que está acontecendo. Não sabem se é um coisa séria, se foi alguém que eu encontrei na esquina… E eles não sabem nada, só ficam inventando e tem gente que compra.”

O Trip Fm vai ao ar na grande São Paulo às sextas às 20h, com reprise às terças às 23h pela Rádio Eldorado Brasil 3000, 107,3MHz

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