Tpm

por Emilio Fraia
Tpm #152

Demonstrar essa equação foi a vida de Artigas. No ano de seu centenário, o arquiteto ganha retrospectiva, homenagens e documentário, que a Tpm teve acesso em primeira mão

João Batista Vilanova Artigas não era um sujeito grande, pesado. Pelo contrário, estava mais para um médio-ligeiro. Movia-se (e pensava) com agilidade, e foi com essa leveza que esgrimiu suas casas e prédios – impressiona que tenha conseguido isso à base de tanto concreto, de estruturas de tão grande porte.  

No documentário que deve chegar aos cinemas em junho, mês que completaria 100 anos, sua neta e diretora Laura Artigas nos conduz com originalidade por seus projetos mais emblemáticos. Estão lá a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (1961), o icônico Louveira, edifício no bairro paulistano de Higienópolis (1946), o estádio do Morumbi (1953), que precisou de “quase uma hidrelétrica de concreto para ficar pronto”, entre outros. 

Além de reflexões de historiadores, amigos e arquitetos, como Paulo Mendes da Rocha (principal discípulo de Artigas), o filme tem como trunfo depoimentos de gente comum, como um mestre de obras que trabalhou na construção da rodoviária de Jaú, o zelador do Louveira, um serralheiro (que exalta o padrão dos parafusos das janelas do prédio), um torcedor do São Paulo e um estudante da faculdade de arquitetura. Sobre as célebres claraboias da FAU, Mendes da Rocha diz: “É uma beleza um lugar em que o teto é de cristal”.

E as homenagens seguem. A partir do dia 24 de junho, o Itaú Cultural apresenta a Ocupação Vilanova Artigas, uma retrospectiva e projetos do arquiteto curitibano fazem parte de Latin America in Construction: Architecture 1955 –1980, exposição sobre arquitetura latino-americana em cartaz até julho no MoMA, em Nova York. 

Para sua neta, Laura, dirigir o documentário foi também uma aventura pessoal, um jeito de saber mais sobre o avô, que conheceu muito pouco. “Só com o filme passei a enxergar a dimensão da obra, perceber traços do temperamento dele.” Morto há 30 anos, aos 69, o arquiteto foi membro do Partido Comunista, exilou-se no Uruguai depois do Golpe de 1964 e ficou conhecido como um dos principais expoentes do chamado novo brutalismo, escola inglesa cuja marca é o uso do concreto armado. Se o charme tem a ver com agradar delicadamente, Artigas alcançou isso numa obra dura, de linhas retas e muito vidro, “sem concessão a barroquismos”, como ele mesmo diz, no filme. “Gosto de criar estruturas pesadas que toquem o chão de forma leve, para que o observador pense: 'Isso pode cair a qualquer momento'", resume, desafiando a gravidade.

Vai lá http://vilanovaartigas.com

Ocupação Vilanova Artigas: o arquiteto e a luz
A partir de 24 de junho, no Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149 - São Paulo


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