Sopros inesquecíveis

O sol de verão tava muito bom para ser verdade. Um discreto friozinho pairou sobre a cidade no último fim de semana. Sinais de que a temporada de furacões dos nossos vizinhos do sul do país já começou. Quando venta lá, sentimos cá. Nesta terça-feira faz um ano que Madame Katrina varreu Nova Orleans. O resto da história, todo mundo conhece. Muita água, muito descaso e muita tragédia.
Estive em Nova Orleans 60 dias depois: aeroporto às moscas, milhares de geladeiras nas calçadas, entulhos sem fim, toque de recolher às oito da noite nos bairros afetados, e às 2 da manhã no French Quarter, onde me hospedei para fazer uma reportagem. Não estive lá para falar dos 1.300 mortos, nem sobre os 100 mil que deixaram uma cidade de 500 mil habitantes. Fui testemunhar os vivos e o quanto o berço do jazz e cidade do vodoo já estava se levantando. Nova Orleans é, de fato, a Salvador norte-americana – com seus aromas, ritmos, problemas e sorrisos. Muitos.
Entrei numa casa de madeira no Lower Ninth Ward, bairro mais pobre da cidade, onde só havia sobrado um quadro: a imagem de Jesus. Também vi uma árvore centenária, gigantesca, arrancada do chão como se tivesse a leveza de um galho. Vi cadeirões e brinquedos espalhados pelo asfalto, carros esfacelados, ônibus de cabeça pra baixo – histórias de vidas ali, jogadas nas calçadas.
Mas na noite da Bourbon Street, altamente policiada, a peteca não podia cair. A música (e a bebedeira) rolava solta. Claro que todos nós ali estávamos a trabalho – de jornalistas a encanadores. Ainda assim, o humor dos locais, que misturam herança haitiana, francesa e espanhola, já se refletia nas camisetas: uma delas, lembrando que Katrina deixou, digamos, “sopros inesquecíveis”. Disso ninguém duvida.
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