Tpm

por Redação
Tpm #70

Depois de meio século fazendo arte, Yoko Ono ganha uma retrospectiva de suas obras no CCBB de São Paulo. Além disso, a ex-senhora Lennon vai apresentar uma performance única no Teatro Municipal. Tpm conversou com Yoko sobre coisas de mulher

Por Fernanda Paola

De sua biografia, muitos só sabem que foi casada com John Lennon. E que teria sido indiretamente a culpada pela morte dos Beatles. Mas Yoko Ono, hoje com 74 anos, é muito mais do que isso. Ela se dedica à arte há mais de meio século. E, apesar da crítica negativa maciça da mídia em relação ao seu trabalho, nunca desistiu. São 24 álbuns, incluindo aí parcerias com Eric Clapton, George Harrison, Ringo Starr, Keith Moon e, claro, Lennon. Além da música, a hoje senhora (que ainda se considera uma “criança por dentro, sonhando e tentando viver uma boa vida”) é voltada à arte conceitual desde os anos 50, quando fazia parte do grupo Fluxus – movimento vanguardista de postura subversiva que misturava arte e cotidiano e procurava destruir convenções e valorizar a criação coletiva. Foi, inclusive, através de sua arte que conheceu e o ex-Beatle John Lennon. Durante a mostra “Unfinished Paintings and Objects”, na Indica Gallery, em Londres, 1966, Lennon, passeando pelas obras, foi atraído por uma em especial, a Ceiling Painting, uma escada branca onde, no topo, pôde ler, através de uma lupa, a palavra Yes. A obra era de Yoko e a identificação foi além das paredes da galeria. Daí em diante o casal não se separou. Hoje, o CCBB de São Paulo apresenta “Yoko Ono – Uma Retrospectiva”, que abre dia 10 deste mês e mostra elementos decisivos da carreira da artista, incluindo trabalhos realizados desde a década de 60. São cerca de 80 obras, entre objetos, fotos, filmes, música e instalações. Yoko Ono dará o ar da graça por aqui, e fará a performance Uma Noite com Yoko Ono, no Teatro Municipal de São Paulo. Aproveitando sua passagem, a Tpm conversou com Yoko por e-mail sobre amor, John Lennon, felicidade e arte.

Tpm. Você nasceu em uma família abastada no Japão, estudou em colégios tradicionais e exclusivos, entre outras coisas. Como foi sua educação familiar?
Yoko Ono.
Minha mãe era político liberal e muito rigorosa em relação à educação.

E como sua criação te afetou como mulher?
Eu continuo uma criança por dentro, sonhando e tentando viver uma vida boa

Com 19 anos, você se mudou pra Nova York, onde estudou na conceituada escola de música Sarah Lawrence e conheceu importantes artistas de vanguarda. O que você sabia, como artista, na época? O que desejava quando se mudou para os Estados Unidos?
Quando se vai para o lado oposto do globo terrestre de onde nasceu, você está, na verdade, dando uma cambalhota. Enquanto eu estou de pé, meus amigos estão de pé no Japão, mas de ponta-cabeça! Isso faz diferença, dar uma cambalhota e ver o mundo sob outra posição.

Desde sua primeira experiência como artista, você faz arte provocativa, conceitual. E foi muito criticada pela mídia, especialmente no começo da carreira. Qual sua posição sobre isso?
Eu estava somente fazendo o que me sentia inspirada a fazer. Espero que meu trabalho inspire, encoraje e dê alegria às pessoas. Então, se as pessoas não me entendem, o azar é delas.

Você faz algum tipo de terapia?
Minha terapia é não confiar em terapeutas.

Você conheceu John Lennon durante uma de suas exposições, em 1966. Você se lembra dos detalhes do primeiro contato?
Sim. Fomos atraídos um pelo outro instantaneamente.

O que, no John Lennon, você sente mais saudade?
Amor e paixão.

Se pudesse mudar alguma coisa no seu passado, o que seria?
Seria bom se John ainda estivesse aqui, fisicamente.

Você se considera uma pessoa feliz e satisfeita?
Todo dia eu agradeço por estar aqui. Todo dia sou feliz pelo céu estar lá.

Vai lá:

'Yoko Ono – Uma Retrospectiva'

Centro Cultural do Banco do Brasil

R. Álvares Penteado, 112, São Paulo

De 10/11 a 3/2

Grátis

A performance Uma Noite com Yoko Ono será no dia 8/11, às 21h, no Teatro Municipal de São Paulo. Ingressos de R$ 60 a R$ 200. Infs. 11-3222-8698

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