por Isabelle Doudou
Tpm #94

Nada de computador, videogame ou celular. Na casa de Regina Mattos a ordem é relaxar

É no litoral norte de São Paulo, em uma das praias mais exclusivas de São Sebastião, que Regina Oliveira Mattos, 42, e sua família recarregam as energias. Até pouco tempo atrás nem sinal o celular dava por lá. E telefone fixo nunca existiu na casa. Quando descem ao litoral, ninguém da família leva trabalho, computador ou videogame. A única concessão feita foi a pequena TV de 14 polegadas instalada na sala para os dias de muita chuva – ainda assim, sem assinatura de canais fechados. Na bagagem, somente livros.

As crianças, João, 10, e Antônio, 7, passam o dia entre brincadeiras na praia, jogos e visitas às casas vizinhas, onde todos são amigos. “É uma praia muito pequena, familiar, cheia de crianças, onde todos se conhecem. Até pouco tempo não tínhamos muro no terreno, relutamos para colocar”, relembra a paulistana.

Auro, o marido de Regina, comprou o primeiro terreno na praia de Santiago em 1982. Lá, construiu um chalé rústico, hoje a casa principal da propriedade. Nos 12 anos seguintes, juntou dois lotes àquele primeiro, construiu mais dois chalés – para receber os amigos que viviam espalhados em colchonetes pelo chão – e agora o lugar tem 6 mil metros quadrados. Em 1996, Regina, que passou a infância na vizinha praia da Baleia, começou a namorar Auro e, três anos depois, eles casaram. Até hoje continuam com a vocação de acolher as visitas. “Aqui é a casa da mãe joana!”, diverte-se ela.

Auro manda na cozinha. O forno de pizza não é enfeite, pelo contrário, há mais de 20 anos funciona a toda lenha. Regina cuida da manutenção da casa, que requer empenho por ser antiga e à beira-mar. “O vento úmido estraga até o concreto”, entrega. No fim de tarde, com as crianças brincando na areia e o marido tirando uma soneca, é tempo de a anfitriã respirar e olhar o pôr do sol atrás da pequena ilha do Montão de Trigo. “É tão lindo...”, suspira Regina, que elege a antitemporada pra curtir o pedaço. “A partir de junho, ninguém mais vai a Santiago. Fica cada vez mais vazio, mais nosso. É nosso deserto.”

 

 

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