por Natacha Cortêz
Tpm #133

Elisa Gargiulo já era engajada mesmo antes de saber o que seria da vida

Documentarista, produtora, guitarrista e uma das organizadora da Marcha das Vadias, Elisa Gargiulo já era engajada mesmo antes de saber o que seria da vida

Aos 12 anos, em uma conversa pós-almoço, a paulistana Elisa Gargiulo reclamava para a mãe sobre o que não dava conta de entender. Sempre teve interesse por “coisas de meninos”: fazer esporte, brincar na rua, voltar suja para casa. Seu jeito gerava comentários. “Eu nem sabia que gostava de meninas e já me apontavam dedos na escola”, lembra.

Naquela conversa com a mãe, Elisa conheceu Simone de Beauvoir e seu Segundo sexo (1949) e ouviu: “Filha, você é feminista”. Na época, não fazia ideia da força que a palavra carregava. Hoje, aos 33 anos, usa o termo feminismo dezenas de vezes por dia. “A ideologia me ensinou a me empoderar e construiu minha identidade.”

Junto com Beauvoir veio a música e o som barulhento (e engajado) do Bikini Kill. Aprendeu a tocar violão e guitarra e, aos 14, fundava a Dominatrix, banda que existe até hoje e toca hardcore – feminista, claro. Com ela, lançou três álbuns e saiu em três turnês internacionais. Ainda teve fôlego para entrar em mais duas bandas: a Visiona, de música eletrônica, e outra ainda sem nome.

Enquanto isso, foi se engajando em tudo quanto é movimento a favor das mulheres. Documentarista, dirigiu e produziu um filme sobre a União de Mulheres de São Paulo, além de 4 minas (2012), retratando o cotidiano de quatro lésbicas brasileiras. É ainda responsável pelo material audiovisual do evento 30 Anos de Transversalidade dos Feminismos no Brasil, com oficinas e atividades ao longo do ano em São Paulo. Fora isso, integra o movimento Marcha das Vadias, que reforçou sua luta contra a cultura do estupro.

Nesta edição, Elisa escreveu sobre suas musas na seção Bazar e participou da reportagem sobre violência sexual com ideias, dados e sugestões de personagens. “O que mais me emociona é quando mulheres se juntam para se defender de uma agressão machista. Isso vai contra toda a lorota da competição entre nós”, diz. Sobre violência sexual, aconselha: “Dizer ‘não’ é um constante aprendizado. O truque é escutar o corpo. Ele sabe muita coisa, carrega memórias e os sentimentos mais fundos. Pra mim, tocarem meu corpo sem minha permissão é a pior dor”.

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