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Pra não dizer que eu não falei do outono…

Que lindo foi ver as folhas caídas em Mendoza!

Pra não dizer que eu não falei do outono…

Por Ana Manfrinatto

em 7 de julho de 2010

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No Brasil eu nunca registrei muito bem o outono porque as estações não são tão marcadas (pelo menos em São Paulo) como aqui na Argentina. Mas o inverno já chegou (embora este fim de semana tenha rolado um veranico) e eu senti falta de escrever sobre esta estação do ano que foi linda demais com as folhinhas amarelas caídas pelo chão.

Outono também é aquela época de recolhimento, de “bajar el cambio” (diminuir o ritmo) e de poupar energia para o inverno. E não tem jeito: se a gente está conectado com o ritmo natural das coisas, é uma época propícia para olhar para dentro e conversar com a gente mesmo. Não é nada fácil mas é necessário.

Deixando o diário de lado, neste outono eu pude escapar alguns dias com uma amiga para Mendoza, no centro-oeste argentino e aos pés da Cordilheira dos Andes. A região também é famosa pelo sem fim de vinhedos e está presente no rótulo da maioria dos vinhos que são exportados daqui para o mundo todo.

O outono em Mendoza é dourado. O céu é azul, o clima é seco, tem sol o dia todo e o céu é estrelado. Sem falar na imponência da cordilheira e na energia da montanha. Praticamente um paraíso. Agora no inverno a região também é conhecida pelas estações de ski e por isso é um dos destinos escolhidos para quem quer esquiar ou fazer snowboard.

Voltando à minha Mendoza outonal, vou contar os highlights da viagem que, lamentavelmente, só durou um feriadinho de quatro dias – porque ir pra lá com tempo para conhecer muito mais coisas deve ser incrível.

1. Bodega Familia Cecchin

Geralmente os turistas visitam várias bodegas em um mesmo dia. Ciana e eu preferimos ficar numa só e passar a tarde inteira por lá. A bodega Familia Cecchin continua sendo administrada pela família que dá nome ao lugar e inclusive conhecemos o seu Jorge, descendente do senhor que começou com o negócio em 1910 e que continua trabalhando na terra todo santo dia mesmo tendo mais de 80 anos.

Chegando lá uma guia nos levou para um tour pela plantação e explicou todo o processo da plantação da uva – da preparação da terra à colheita – e também as diferenças desta bodega, que é orgânica, para as outras que são convencionais. O vinhedo é rodeado de flores e árvores frutíferas porque quando as pragas atacam, elas começam por aí e daí dá tempo de identificar o problema e de tomar alternativas que não sejam químicas.

A visita guiada termina com uma degustação de vinhos do local e uma aula express de como identificar as suas características. O meu preferido foi o Graciana, uma cepa (tipo de uva) produzida somente nesta bodega que era uma delícia. Eu trouxe uma garrafa para casa porque o tour sempre termina na lojinha.

Restaurante A la Sombra

A la Sombra é o nome do restaurante que fica dentro desta bodega. Nós escolhemos almoçar no lugar para seguir desfrutando da paisagem e do passeio. E não nos arrependemos nem um pouco. Pelo contrário: toda a comida servida por lá também é orgânica e a maioria dos produtos é cultivada lá mesmo.
O pão caseiro era dos deuses. As azeitonas eram dos deuses. A comida também era dos deuses e o vinho escolhido foi o Graciana que eu comentei anteriomente. Um banquetaço! Mas o que mais conquistou o meu coração foi a sobremesa servida este dia: tangerina e membrillo frescos (uma fruta local) com sorvete de doce de leite e queijo mascarpone. Sensacional!

2. Passeio pela alta montanha

Embora a cordilheira possa ser vista de vários pontos da cidade, pra chegar mais perto dela tem que contratar uma excursão, não tem jeito. Nós compramos o passeio de um dia na El Cristo Turismo que saiu por volta de R$ 50 e passamos um dia inteiro percorrendo a montanha.

Chegamos a mais de 4 mil metros de altitude e fomos quase até a fronteira com o Chile fazendo algumas paradas estratégicas como, por exemplo, a Puente del Inca e um ponto de onde dá para ver o Aconcágua.

3. Feirinha de artesanato da Plaza San Martín

Eu tenho certeza que ela não está em nenhum guia de turismo mas vai lá porque vale a pena. É destas feiras de artesanato enormes que tem coisas lindas – e diferentes – de verdade. Ciana e eu compramos umas bolsas de couro incríveis e bem diferentonas que saíram super barato e que fazem o maior sucesso em Buenos Aires.

O que eu vou ficar devendo são dicas de hospedagem e de restaurantes porque nós ficamos na casa de amigos e preferimos cozinhar à comer fora. Seja em qualquer estação do ano fica a dica: separe uns quatro dias na agenda (ou mais, se você puder) quando vier a Buenos Aires porque Mendoza é uma região com paisagens de tirar o fôlego e que está a só 14 horas de ônibus ou 2 de avião daqui da Capital Federal.