Tpm / Moda

por Luciana Obniski
Tpm #121

A artista espanhola Yolanda Dominguez discute a influência da moda no universo feminino

A artista espanhola Yolanda Dominguez, 35 anos, baseia seu trabalho em discutir a influência da moda no universo feminino. São dela os projetos Poses e Escravas. No primeiro, uma videoinstalação, mulheres comuns reproduzem poses de editoriais de moda, “lânguidas e frágeis”, e causam reações curiosas a quem passa. No segundo, Yolanda utiliza o tecido de burcas muçulmanas para confeccionar roupas “normais”, mas que, na visão dela, também aprisionam a mulher. A artista, que ganhou uma bolsa do Ministério da Cultura da Espanha em 2010, fala sobre as imagem da moda.

De onde surgiu a ideia dos vídeos de PosesComo compradora de revistas femininas, acho as poses das modelos absurdas. É mais negativo do que se imagina as mulheres só aparecerem em poses não naturais, como se estivessem desprotegidas. Ao contrário dos homens, que saem em poses seguras, ativas e autoritárias, as mulheres estão sempre esparramadas pelo chão, com cara de mortas, doentes e submissas. Essa reflexão é muito importante. Acho que imagens têm muito poder e isso vai entrando em nós sem percebermos.

Que mensagem pretendia passar com a ação ao vivo? A ideia era tirar as poses de contexto e ver a reação das pessoas. E elas ficaram preocupadas, achando que as “atrizes” estavam doentes ou passando mal. Ou só riam, porque a cena era ridícula. Queria mostrar que isso não é normal, mas sempre com humor. Acho que quando se consegue rir de algo é quando se liberta disso.

Essa ideia de que mulher precisa ser frágil não é de hoje. Não. Essas poses existem desde os quadros renascentistas. Os pintores eram todos homens e colocavam as mulheres nessa posição. As pessoas não sabiam ler nem escrever naquela época, então eram educadas pelas imagens. Isso foi sendo arraigado nas mulheres desde então.

E isso perpetua a ideia de que mulher não pode ser forte? Nos vemos representadas por essas poses. É um instante que representa o feminino, o ideal da mulher. E, se essa é a mulher ideal, então aí temos um problema grande, né? Porque elas estão retratadas submissas. É curioso pensar que as pessoas no mundo da moda acham que isso são poses artísticas.

E qual o propósito do projeto Escravas, em que você costura vestes ocidentais com burcas? Criticamos as mulheres que usam burcas, mas, do outro lado, somos quase obrigadas a exibir nosso corpo. Não existe diferença entre um anúncio de prostituição ou de perfume. As mulheres estão sempre sem roupa e com atitude provocativa. E, se não é assim, não é feminino. É outra forma de escravidão, porém mais perigosa, porque a achamos boa. Não existe contestação.

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