por Nina Lemos
Tpm #146

Ficar pelado no parque, no lago e na fazenda é uma tradição alemã herdada dos comunistas

Quer ficar pelado? Venha para a Alemanha! Quer pagar peito, fazer nudismo? Bem-vindo ao Leste. A Tpm acaba de descobrir que os comunistas não usavam biquíni. E deve ser por isso, quem sabe, que uma pesquisa comprovou que os comunistas da Alemanha Oriental faziam sexo melhor do que seus vizinhos da Alemanha Ocidental. 

Na Alemanha Oriental, o biquíni era uma raridade. “Minha amiga disse que usou o primeiro biquíni quando tinha 28 anos”, disse minha flatmate, em choque. 

Sim, a tradição do lado oriental da Alemanha era ir para a praia pelado. E também para o lago, para o parque ou para qualquer lugaronde batesse sol. Vi isso em uma sauna de Friedrichshain, Leste. Se alguém aparecesse de biquíni, estaria pagando mico. As senhorinhas que sobreviveram à queda do Muro esfilavam numa boa sem roupa. E seus netos de 20 e poucos anos também. Eba! 

É verão em Berlim. Pela janela do ônibus, vejo um grupo de uns dez pelados no Tiegarten (um parque superfamoso e turístico da cidade). Minha amiga me fala que esse é um ponto gay de nudismo. Todos dizem que eu preciso ir a uma praia e preciso ficar pelada. No Wansse, o lago mais badalado de Berlim, uma parte é reservada para nudistas. Mas alguém me disse que eu devia ir para um lago mais para o Leste. Os comunistas não usavam biquíni, lembram?

Recentemente, uma foto de Angela Merkel adolescente nua na praia com amigas começou a circular pela internet. Angela era do… Leste, claro! No livro Love in the time of communism, o escritor Josie Mclellan fala sobre a liberação sexual na Alemanha comunista, inclusive, com comunidades para a prática do amor livre.

Hora de provar. Com uma temperatura de 17 graus, arrastei uma amiga para o Müggelsee – isso é longe. Demos de cara com uma praia de crianças. Saco. Cadê os pelados? Sem resposta possível em alguma língua que a gente entendesse, saímos andando pela beira do lago em busca de uma praia de pelados. Andamos 3 quilômetros até achar um píer. Alguns adolescentes de férias ouviam música e bebiam vinho. “Onde estão as pessoas peladas?”, “Aqui você pode ficar pelado onde você quiser”, responde um deles, que deveria ter por volta de 13 anos, sem ficar nem um pouco vermelho. 

Ah, é? Pois então, com calor, era minha hora de provar. Eu tinha andado 3 quilômetros, pegado um metrô, um trem e um ônibus para fazer esta reportagem. Então, subitamente, virei para a minha amiga e disse: “Vou tirar a camiseta”. E fiquei de peito de fora (calça comprida e bota) pegando sol no píer. Várias famílias apareceram. Ninguém reparou em mim. Foi ótimo. Difícil foi achar o caminho de casa e andar mais 3 quilômetros no meio da floresta com medo de ser acometida por um surto. Mas o que a gente não faz pelo jornalismo?

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