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A nova febre na internet é o Twitter, um site de (falta) de relacionamentos em que as pessoas passam o dia respondendo à pergunta do título e contam para o mundo banalidades como: “Estou indo cortar o cabelo”, “minha gata subiu no meu colo”. Será que a vida realmente virou um Big Brother?
“Estou tomando um café. Miraculosamente não derrubei na minha camiseta.” “Estou saindo para cortar o cabelo.” Não, esses não são diálogos que ouvimos aqui no dia-a-dia da Redação ou das nossas vidas. Lemos essas frases na internet. E elas foram ditas (escritas) por uma menina americana que não conhecemos. Agora, perguntamos: o que temos a ver com isso? Nada. E o que tem de interessante em saber o que um desconhecido está fazendo? Nada.
Essas frases foram encontradas no Twitter, uma espécie de blog com Orkut misturados e que é a nova febre da internet. Visitamos o tal site e ficamos assustadas. Para começar, a pergunta que teoricamente deve ser respondida pelos internautas (e que ficará em sua página e será enviada para seus amigos) é: o que você está fazendo? Como se a gente devesse anunciar para toda a webesfera cada passo que dá. Por exemplo. A repórter que escreve este texto pára agora mesmo de escrevê-lo, entra no Twitter e posta: “Estou escrevendo um texto para a Tpm”. Aí, daqui a pouco, posta de novo. “Tive que parar de escrever porque tinha acupuntura. Acho que estou com tendinite.”
Por sinal, os relatos de problemas de saúde são muito comuns no Twitter. Você vai lá e escreve: “Tô morrendo de dor de garganta”. Tudo bem, desabafar pode ser bom. Mas não é melhor pegar o telefone e ligar para um amigo? Será que a gente tem mesmo que contar para o mundo todo tudo aquilo que está fazendo?
O show de Truman
O espaço para texto no site é pequeno. Então, as pessoas acabam escrevendo frases curtas sobre suas vidas. Alguns são mais espertos e passam o dia fazendo piada no tal lugar. A gente pode não entender direito o que se passa no mundo, por isso entrevistamos a colunista da Tpm e psicanalista Diana Corso sobre essa necessidade de contar tudo para todo mundo.
E, por enquanto, os viciados em Twitter se defendem. “É legal porque é um desafio escrever com tão poucos caracteres e tem gente que escreve coisas legais”, diz o editor de moda Ricardo Oliveros. “As pessoas colocam lá bons links”, diz o colunista da Folha de S.Paulo Vitor Angelo. Pode até ser. Mas, gente, a vida não é Big Brother. Ou será que é?
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