por Rita Lisauskas

Rita Lisauskas: ’O dia em que Samuca aprendeu que há várias formas de se formar uma família’

Uma das minhas melhores amigas não pôde ir ao aniversário do Samuca porque estava gripada, mas nos encontramos alguns dias depois em um piquenique de aniversário do filho de outra amiga. Ela me disse: “Faz tempo que queria dar esse livro pro Samuel”. Ele recebeu o pacote das filhas dela, as gêmeas Elisa e Manu. Assim O livro da família entrou em nossas vidas. Encantado com tantas cores e desenhos, Samuca pediu para que eu começasse a leitura na mesma hora. As meninas já conheciam a história, mas sentaram em círculo mostrando que queriam ouvi-la de novo.

O livro da família, do escritor e ilustrador americano Todd Parr, mostra de forma divertida e colorida que as famílias são diferentes. Há famílias onde todos estão perto e outras em que seus membros moram uns longe dos outros. Lembro o Samuca que os irmãos dele moram longe e as meninas olham surpresas. Para gêmeas que nasceram, vivem e moram juntas pode parecer estranho que irmãos morem em bairros diferentes. Samuca acha isso “normal” e logo lembra que longe mesmo moram os tios e o avô “ no Rio de Janeiro, né mamãe?” e as gêmeas completam contando que os avós e tios moram “longe também”, em Belo Horizonte.

Michelle aproveita e me conta que na primeira vez que leu o livro as meninas perguntaram como era possível uma amiguinha não ser filha da mulher que estava grávida do irmão dela. Michelle explicou para as duas que às vezes os casamentos não dão certo e homens e mulheres tentam de novo com outras pessoas. Manu arriscou uma explicação para a separação: “É porque no casamento não teve bolo, né mamãe?”. Depois de algumas risadas elas entenderam que existem madrastas, padrastos, casamentos desfeitos e refeitos e que nem por isso a amiguinha e a mãe do irmão não formavam uma grande família. Aproveito o gancho e explico que o Samuca tem irmãos que não são meus filhos. Elas me olham, interessadas.

Logo depois, O livro da família conta que existem famílias formadas por duas mães e dois pais. Elisa fica surpresa, porque nunca viu nenhuma. Conto para elas que conheço uma família assim, formada por duas mamães. Elisa, Manu e Samuca fazem uma cara de entendimento, algo como “já que você conhece, então é porque existe mesmo!”.

O livro segue falando de famílias que só tem ou o pai ou a mãe, famílias grandes, famílias pequenas. Famílias que adotam filhos e outras que tem também animais de estimação. Essa as meninas conhecem, Samuca também. Michelle conta que o marido acha que o cachorro da família se parece com ela. As meninas “defendem” a mãe: “Não parece não!”

O livro acaba, eles se distraem e começam a correr pelo parque. O livro da família vai para a bolsa e já foi lido várias vezes desde então. Em 32 páginas há lições valiosas sobre tolerância, diferenças sociais, culturais e raciais. E quando achei que não podia amar mais a história e seu autor, descubro que parte dos direitos autorais e da venda do livro é doada à Associação para crianças e adolescentes com tumor cerebral, a TUCCA.

(*) Rita Lisauskas é jornalista, mãe do Samuel, madrasta do Lucca e do Raphael e mulher do Sérgio. Não necessariamente nessa ordem. Desde 2013 mantém o blog Ser mãe é padecer na internet, que vai estar quinzenalmente no site da Tpm //vilamamifera.com/padecernainternet // Fanpage: www.facebook.com/padecernainternet 

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