
por Clarah Averbuck
Juliette Lewis já era praticamente uma roqueira antes mesmo de ter uma banda. Ela caiu fora da escola aos 14 anos, emancipou-se e foi fazer o que queria desde os 6 anos de idade: atuar. Nunca foi a queridinha que pegava os papéis principais nas peças da escola, nunca fez parte daquele mundo tilintante de Hollywood. Assim como seu pai, o também ator Geoffrey Lewis, que atuou em vários filmes de Clint Eastwood, considera-se uma “atriz trabalhadora”, não uma “atriz badaladora”. Seu pai, aliás, foi o responsável por toda a sua paixão por música. “A Rickie Lee Jones [cantora, ex-mulher de Tom Waits] freqüentava a minha casa quando eu tinha 9 anos, era um ambiente muito musical”, diz ela, diretamente de casa, em Los Angeles, onde visita a família e dá uma pausa nas agora freqüentes turnês de sua banda, Juliette and the Licks, formada em 2004.
Juliette já trabalhou com diretores como Martin Scorsese e Quentin Tarantino, com atores como Jack Nicholson e Robert De Niro, já pegou o Brad Pitt e já abraçou o Iggy Pop. Abraçou o Iggy Pop? É, eu perguntei: “Você conheceu o Iggy Pop?”. E ela: “Conheci, cara, eu pedi um abraço pra ele. Eu disse: ‘Iggy, posso te dar um abraço?’. E ele disse, ‘claro’, e foi muito querido, me apresentou a namorada, eles disseram que eram meus fãs e tudo”.
Anti-heroína sexy
Quem viu não esquece Juliette em Cabo do Medo, de Scorsese, chupando o dedão sujo de De Niro, que lhe rendeu uma merecida indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante aos 18 anos. Inesquecível também é a sua Mallory Knox, anti-heroína e sociopata sexy de Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. Ou Adele, a caipirinha submissa e quase retardada, namorada do serial killer interpretado por Brad Pitt em Kalifornia. Juliette nunca passa batida. Mas já tem gente achando que ela desistiu da carreira de atriz em nome do rock. Ela diz que não é nada disso. “Gostaria de trabalhar com Alejandro González Iñárritu, achei Babel um filme incrível, e também com Todd Haynes, o cara do filme do Dylan.”
“Faço tudo pela banda”, diz ela. “Algumas pessoas acham que existe um grande produtor atrás, mas não é assim. Eu fui atrás, eu chamei os músicos, era uma coisa que eu queria fazer. Somos uma banda independente.” E até hoje é assim. “Lembro que, quando estava falando para os caras o quão longe queria ir com a banda, eu disse: Quero ir para a Turquia! Eu quero ir, sei lá, para o Brasil!?” E isso está perto de se realizar, já que Juliette e seus Licks tocam na edição deste ano, em outubro, do Tim Festival. Agora é só esperar.
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