Tpm

por Bruna Bopp
Tpm #131

Fabiana Nigol viaja o mundo, alfabetiza a filha, cuida da casa e grava Nalu pelo mundo

Fabiana Nigol viaja o mundo, alfabetiza a filha, cuida da casa - ou, melhor, do motor home - e ainda dirige e grava o programa Nalu pelo mundo

Já são 21h30 de uma terça-feira, mas na tela da TV o dia parece não passar. O programa é Nalu pelo mundo, transmitido pelo canal a cabo Multishow. Um reggae gostoso embala as ondas quebrando. O céu é azul e ensolarado. A paisagem, paradisíaca. Um pai surfista ensina a filha pequena a subir na prancha. Quem registra tudo é Fabiana Nigol, 35 anos, a matriarca. Ela, além de filmar, dirigiu a cena e pensou nos detalhes das imagens. Além do tripé para a câmera, na mochila vão comida e brinquedos, para a filha se distrair.

Na época, a família estava havia uma semana na Austrália. Mas Fabiana começou a viver o país dois meses antes, desde que decidiu que aquele seria o destino seguinte dos três. Estudou os detalhes das cidades por onde iam passar, curiosidades, pontos turísticos que poderiam render boas imagens. O motor home onde moravam também foi escolha dela – modelo e valor do aluguel. A última coisa que queria era se ver, de novo, tendo de dormir no chão, acampada. “O que me deixa mais irritada é ficar mal instalada. Já passamos por isso em Desert Point, na Indonésia. Era cheio de bichos, dormíamos em cangas e tomávamos banho de caneca”, conta.

 

"Já lavei muita louça no mar. E vou te falar: areia é bem melhor que esponja"

 

Essa é uma das poucas situações que tiram Fabiana do sério. Casada há 11 anos com o free surfer Everaldo Pato, 37 anos, ela se acostumou a estar sempre na estrada para acompanhá-lo. E decidiu que só tinha um jeito de encarar os perrengues: com bom humor. “Já lavei muita louça no mar porque acabava a água no motor home. E vou te falar: areia é bem melhor que esponja”, brinca.

Os dois se conheceram em 2001, durante uma feira de surf, onde Fabiana trabalhava como modelo. Casaram-se um ano depois. Desde então, sua rotina passou a ser guiada pelas marés. “Estava sentindo falta da minha independência, de ter meu próprio dinheiro. Precisava criar alguma coisa e a ideia de virar cinegrafista parecia a solução”, lembra. E foi. Formada em comunicação social, começou a se arriscar com a câmera e a captar imagens do marido surfando. De primeira, conseguiu vender um vídeo para um canal de TV esportivo. Para se especializar, fez cursos. Em pouco tempo, as pranchas passaram a dividir espaço com os equipamentos de filmagem.

Em abril de 2007, no Havaí, com Pato à espera de grandes ondas, não teve jeito: nasceu Isabelle Nalu (nalu é “onda”, em havaiano), a primeira filha do casal. “Não foi fácil estar longe da minha mãe nesse momento. Ainda mais em um país de língua diferente. Mas o Pato me ajudou muito. Ele diz que bateu o recorde dele ao ficar sem surfar durante 20 dias”, conta Fabiana, que embarcou de volta ao Brasil com o marido e a filha com menos de 30 dias de vida. Foram direto para Santo André, em São Paulo, cidade natal de Fabiana. Dez meses depois já estavam de malas prontas em busca de novas ondas, agora rumo ao Chile. A decisão de parar de viajar por causa da chegada da criança nunca foi cogitada. “Viajar é a nossa vida, faz parte do nosso trabalho. Levar a Belinha foi a fórmula que a gente criou para nos manter unidos”, explica Pato.

Interessado no estilo nômade da família, em 2009 o Multishow propôs um reality-show com eles. Fabiana se viu dividida, e com todas as responsabilidades que ambos os momentos pediam: tocar um programa de TV e administrar a fase em que a filha deixaria a mamadeira e sairia da fralda. “No fim, o Nalu pelo mundo só me trouxe alegrias. Antes a gente viajava em busca das ondas. Agora, conhecer o local é importante também. Ele deixou a minha vida e a da Belinha muito mais interessantes”, analisa.

Em sua sétima temporada, o programa precisa de dinâmica para não cair na mesmice. Por isso, sempre que podem, imaginam situações diferentes: já viajaram de barco, de carro e até de helicóptero (pilotado por Pato, passando por ilhas do Caribe até o Brasil). Graças ao patrocínio do canal e da marca de surf Mormaii – que bancam o alto investimento das viagens –, conheceram todos os continentes e estiveram em 25 países.

Fabiana é quem define o roteiro. Assim como cozinha e arruma a casa – na maioria das vezes um motor home de 15 metros quadrados. Também é responsável pela alfabetização da filha de 6 anos. A partir de agosto, pretende introduzir o método americano de home school e prevê três horas 
diárias de estudos. Já começou, aliás, a ler livros e assistir a DVDs que ensinam a prática. E mesmo desempenhando tudo isso ela não se considera uma boa dona de casa. “Nunca fiz um jantar romântico para o Pato, por exemplo”, explica.

Rainha das malas

A família acaba de chegar em Florianópolis, onde morava e tem um apartamento. É uma das poucas vezes ao longo do ano que visitam o Brasil. De novembro a março, época das melhores ondas, vivem no Havaí – durante o período, Isabelle frequenta a escola. Nos outros meses, estão entre o Brasil e o resto do mundo. “Gosto de voltar para casa, mas, como o apartamento é pequeno, fica difícil não querer continuar viajando. Ainda não achamos o lugar ideal para construir a nossa casa. Quando isso acontecer, acho que vai ser mais fácil parar”, prevê.

Fabiana conversa com a Tpm pelo telefone enquanto arruma as malas. Nem bem chegou e já está de partida. De Floripa, eles voltam ao Chile, onde passam um mês de férias. Férias mesmo, sem câmeras. Ela acaba de voltar do salão de beleza. “Fiquei cinco meses sem pintar as unhas e fazer escova, mas sou a pessoa que mais conhece tipos diferentes de depilação!”, brinca. Ela confessa que, no esquema em que vive, não tem como levar a vaidade muito a sério. “Na hora de arrumar a mala, você aprende a priorizar. Um creme nunca é fundamental. É preciso desapegar. Ensino isso para a minha filha, que às vezes quer levar um monte de brinquedo.”

Arrumar malas, aliás, é um de seus talentos. A mãe de Fabiana atesta: “Fico impressionada com a capacidade dela de fazer isso. Ninguém no mundo é igual”, exagera dona Daile, que aproveita para palpitar sobre as divisões de tarefas do casal. 

 

"Às vezes até o café da manhã tem que ser interessante. Fico esgotada mentalmente"


“Onde é que está escrito que é dever da mulher fazer a comida e cuidar da casa? Brinco com o Pato que fico admirada que, mesmo jovem, ele seja tão tradicional”, solta. O próprio admite que, muitas vezes, a família vive “como nos tempos das cavernas”. “Saio para caçar, enquanto ela me espera para fazer o almoço.”

Fabiana está acostumada a esperar. Não só o peixe para o almoço, mas o marido, por causa das horas e horas de surf. Mas agora que a filha ganhou a própria prancha ela já anunciou que em breve também vai cair na água e se divertir com os dois. O que falta para isso acontecer é coragem – mas não por medo. “Fico com dó de deixar de filmar os dois surfando, o Pato ensinando a Bela”, explica. A dificuldade em parar de trabalhar é justificada. São quatro anos preocupada em registrar o dia a dia da família. “Filmamos a nossa vida. Às vezes até o café da manhã tem que ser interessante. Fico esgotada mentalmente. É por isso que, quando a câmera começa a pesar, já aviso: ‘Estou precisando de férias’”, solta.

Nessas circunstâncias, tem espaço para um segundo filho? “De jeito nenhum! Não sei como tem gente que corre o mundo com três filhos. Tem que ter muita psicologia. É uma vida maluca. Mais um filho não dá. Não nasci para isso.”

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