Algumas marcas lutam contra o preconceito enquanto outras ainda ’escolhem’ seus clientes

Algumas marcas lutam contra o preconceito enquanto outras ainda 'escolhem' seus clientes

Estamos em 2013 e ainda há tanta gente com preconceitos estúpidos. E por mais que se fale muito em igualdade, seja de raça, religião, classe social e etc., ainda não basta que só eu e você tenhamos essa consciência enquanto os líderes do consumo, em seus anúncios, comerciais, capas de revista, enfim, continuem a divulgar um estereótipo de pessoa "certa" ou "ideal" para usar seu produto.

Eu, trabalhando como produtora, cansei de ouvir nas marcas "ah, mas este tipo de pessoa não é o perfil que a gente quer pra vestir nossas roupas". E eu pensando: "Sério que ela está dizendo isso?". Achei que a marca quisesse vender para quem quisesse comprar suas roupas, e que qualquer forma de divulgação é divulgação, não?

 

 

A marca de roupas Benetton fez nos anos 90 a campanha United Colors Of Benetton, que usou modelos e crianças de todas as culturas possíveis juntas em seus anúncios. Uma celebração à igualdade e um soco na cara do preconceito racial, que marcou época com fotos estonteantes de lindas, e que fizeram todos pararem, sorrirem, e darem uma pensada em seus princípios.

E como todas sabem, a Benetton é uma marca de peças bem clássicas com muitos consumidores bem conservadores, porém, chuta o pau e mostra que "seu perfil" de cliente é… todo mundo! Quem usa roupa, pode usar a roupa deles que eles acham super legal. E que seu consumidor conservador saiba que a marca é para todo mundo e aprenda a se livrar de seus preconceitos.

Hoje, uma campanha similar é a "Make Love" da marca GAP, com atores, cantores, modelos, pessoas desconhecidas e crianças, compondo fotos em que a mensagem faça as pessoas espalharem o amor por onde passarem, independente de sua origem ou escolhas. Entre estas fotos, uma é do ator indiano Waris Ahluwalia junto com a modelo Quentin Jones, que esta semana estampava uma parede de uma estação de metrô em Nova York e foi vandalizada com as frases "Make Bombs" (Faça bombas) e "Please Stop Driving Taxis" (Por favor pare de dirigir taxis). Outra é do músico Malcolm Ford com o artista Max Snow, e também sofreu em Chicago rabiscos com mensagens homofóbicas.

 

 

Após deparar no metrô de Nova York com o anúncio rabiscado, o jornalista islâmico Arsalan Iftikhar postou em seu perfil do twitter a foto para seus 40.000 seguidores verem. A marca logo lhe deu um reply dizendo: "Obrigada por nos informar. Você pode por favor nos enviar em que local isso aconteceu?". E em seguida, a GAP trocou a foto do perfil de seu twitter pela foto limpa de Waris e Quentin, sem o emblema da marca. Como um protesto "com classe" ao que ocorreu. Quanto ao ocorrido em Chicago, a marca ainda não se manifestou.

Essas duas marcas usaram seus poderes na indústria para tentar conscientizar seus consumidores de que roupa é pra todo mundo, sem distinção. Mas são duas apenas, né. Tem tantas aí que poderiam aproveitar o exemplo...

Bom, mas ainda dá tempo, porque como mostraram as atitudes em Nova York e Chicago, o mundo ainda está cheio de babacas.

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