por Sara Stopazzolli
Tpm #125

Dez anos depois de seu primeiro ensaio na Tpm, o ator mostra que continua o mesmo

Marcos Palmeira – e seu bigode negro – mostra que o tempo voa a favor. Dez anos depois de seu primeiro ensaio na Tpm, segue ocupando o papel de galã. 

Um sorriso largo seguido de um “alguém tem medo de cachorro?”. Foi assim que Marcos Palmeira recebeu a equipe de Tpm na sua fazenda em Teresópolis, região serrana do Rio. Mesmo ouvindo um não em uníssono, o ator preferiu prender os cães, Mandrake e Bio, e ficar – o que parecia impossível – ainda mais à vontade para um tour a pé pela Vale das Palmeiras. Durante o passeio, com direito a pausa para um caldo de cana extraído na hora, ele contou a história das terras áridas e sem passarinhos, compradas por ele há 15 anos, que hoje produzem de tudo e chegam a receber até a visita de tucanos. Se pudesse, Marcos falaria o dia todo sobre as maravilhas da agricultura orgânica, responsável pela reviravolta na fazenda. Mas havia a prova de figurino, as fotos, os outros assuntos. E ele segue confortável diante do que vier. Até o bigode que usava para compor o pedreiro Sandro, seu personagem em Cheias de charme, é encarado com bom humor. “Pelo menos ainda nasce preto, porque minha barba já está branca”, comenta ele, que adorou aparecer na novela despido da estética de galã. E vai repetir a dose na minissérie O canto da sereia, que estreia este mês na Globo, em que interpreta um policial baiano com alguns quilos a mais.

Reviravolta
Fora da TV, a imagem é completamente outra. Marcos tem uma presença solar e magnânima, que eclipsa até os próprios adereços: o bigode desaparece depois de alguns minutos de conversa; o brinco que carrega “a vida toda” na orelha esquerda só é notado depois de horas. Fica evidente que, aos 49 anos recém-completados, o ator vive um grande momento. O melhor da vida, acredita ele. E deve muito aos ensinamentos que a agricultura orgânica lhe trouxe. “Não dá para falar ‘vamos lá, rúcula, cresce, cresce; corre, vaquinha, vai parir o bezerro’. Hoje tenho outra dimensão do tempo. Penso numa vida larga e não numa vida longa. Busco aumentar a quantidade de pílulas de felicidade sem deixar de ir fundo nos problemas”, conta ele, que moraria tranquilamente na fazenda se não amasse a profissão de ator. Além da minis- série, Marcos estará no telefilme Mandrake, que será exibido em novembro pela HBO, e no longa Vendo ou alugo, com estreia prevista para o início do ano que vem.

 

“Hoje tenho outra dimensão do tempo. Penso numa vida larga e não numa vida longa”

 

A fazenda também avançou muito no último ano, depois que o ator montou uma gestão mais profissional. “Algumas pessoas misturaram minha figura pública com a de empresário e tive decepções em administrações anteriores. Mas tudo pelo que passei só me deixou mais forte. Hoje tenho a fazenda nas mãos”, comenta ele, que inaugura ainda este ano o Armazém Vale das Palmeiras, uma loja certificada de produtos orgânicos no Leblon. Na fazenda, são 30 funcionários e Marcos cumprimenta todos pelo nome. Os homens ganham tapinhas nas costas. As mulheres, dois beijinhos. O ator chegou a levar vários deles para uma festa de réveillon de uma grande cervejaria, na época em que era garoto-propaganda da marca. Quem conta é o ator Bruno Mazzeo, primo e amigo dele. “Era gente humilde que rala com ele e que nunca tinha saído do mato. Eles curtiram um evento em que jamais sonhariam ir. Marquinhos é um exemplo de que o artista pode fazer o sucesso que for e nunca deixar isso subir à cabeça”, revela Bruno. A atriz Taís Araújo, que interpretava a mulher dele em Cheias de charme, concorda: “É a primeira vez que trabalhamos juntos, mas ele é tão gente boa, deixa a gente tão à vontade, que parece que o conheço há anos”.

Além da experiência como empresário do campo, muita coisa aconteceu na vida do ator nos últimos dez anos, desde seu primeiro ensaio para a Tpm. Ele se casou com a diretora de TV Amora Mautner, teve uma filha, Júlia, hoje com 5 anos, separou-se, largou o contrato com a Globo (hoje recebe por obra), começou a praticar pilates, a fazer análise, a se alimentar quase exclusivamente com produtos orgânicos e
a se tratar com medicina antroposófica. Atravessou os 40 sem crise e chega perto dos 50 ainda mais saudável. “Eu não fiquei sentado esperando a crise aparecer. Mas ela deve ter me mobilizado e, de alguma maneira, eu matei ela no peito, fui quicando, dei uns dribles, dei uns chutes, acertei na trave algumas vezes. Foi uma coisa natural, de querer amadurecer, ser mais feliz, sofrer menos com as coisas”, conta ele, que segue vascaíno convicto e ainda joga a pelada semanal de 30 anos atrás com os amigos. “Continuo com a mesma disposição para fazer as coisas, só estou menos ansioso e mais seletivo. O amadurecimento ainda está a meu favor. E as transformações físicas são as marcas da vida mesmo, não fico encanado. Mas claro que me preocupo em não ficar detonado, afinal, eu lido com a imagem.”

Para Marcos, o amadurecimento lhe trouxe leveza. “Engraçado isso. Talvez minha filha tenha me libertado mais. Me deixou mais lúdico, mais confortável diante das coisas. Antes dela eu até era meio travado com crianças.” Prova disso foi a sessão de fotos para a Tpm. Ele se jogou no meio das galinhas, dos cavalos, tomou banho de mangueira. Parecia se divertir de verdade e sempre soltava algum comentário bem-
humorado entre os cliques. José Henrique Fonseca, que além de dirigi-lo em Mandrake é seu amigo há três décadas, acha que a leveza também contaminou o trabalho dele como ator. “Percebo que o Marquinhos está cada vez mais solto, se arriscando mais. Ele é um ator superversátil, do tipo que todo diretor gostaria de ter no set. E é o protótipo do brazilian lover, com a pele cafuza e o sorriso aberto. Ele chega num lugar e exala esse charme. Não é à toa que faz sucesso com as mulheres”, entrega.

 

“Continuo com a mesma disposição para fazer as coisas, só estou menos ansioso”

 

Marcos não gosta de falar sobre essa área do sucesso. Ultimamente, foi visto na companhia da atriz Maria Paula, mas se limitou a dizer que o namoro, se é que existiu, já acabou. Separado há dois anos e meio de Amora Mautner, ele conta que mantém uma relação saudável com a ex, de quem guarda boas lembranças. “Ela é bem diferente de mim, mas me trouxe muita coisa positiva. Às vezes a diferença também ajuda”, diz ele, que costuma ficar com a filha em fins de semana alternados e nos dias em que sua agenda permite. E não se sente culpado pela separação: “O melhor para a Júlia é a felicidade dos pais. E eu estou melhor agora, mais tranquilo. Minha filha assimila isso. É duro se separar. Independentemente da situação, sempre há algum tipo de investimento, de expectativa. Mas continuo acreditando na relação entre duas pessoas e agora, mais maduro, tentando antecipar alguns problemas”, conta ele, que está solteiro e adoraria, um dia, ter outro filho. Tudo a seu tempo, como ensina a agricultura orgânica. 

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ASSISTENTE DE ESTILO E PRODUÇÃO DE MODA GABRIELA ALVES PRODUÇÃO ANA LUIZA TOSCANO

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