por Thais Mendes
Tpm #153

A autora do zine Motherhood, que rodou o mundo com dicas irreverentes para mães de primeira viagem, escreve para a Tpm e antecipa o que virá no segundo exemplar

Virei mãe em meados de 2011. E como outras mulheres pegas de surpresa por uma gravidez acidental, tive medo de perder o controle sobre minha vida. Eu morava em Londres há quase uma década e era tão livre quanto desregrada. Meu parceiro (dez anos juntos) estava entusiasmado com essa nova fase, mas eu não estava preparada pra pisar no freio e entrar de cabeça em uma bolha repleta de fraldas, chupetas e hora marcada pra tudo. Mas pisei no freio mesmo assim.

Foi um processo de reinvenção tão doloroso quanto fascinante. Descobri que era possível ser a mesma pessoa e, ao mesmo tempo, estar completamente mudada. Corri em busca de referências de quem estava no mesmo barco. E no universo de “mídia materna”... não achei nada com o que me identificasse! Inúmeros manuais, revistas e blogs davam dicas de como criar rotinas, fazer purês orgânicos e voltar à forma. Cadê o senso de humor? Cadê a irreverência? Cadê as playlists sem músicas de ninar? Meu mundo era povoado por referências da cultura pop, meu ícone fashion era Neneh Cherry, de Nike, minissaia e barrigão de sete meses cantando no Top Of The Pops. Nada disso parecia ser relevante pra quem acabava de virar mãe. Então, no final de 2012, criei um zine chamado Motherhood (todo em inglês). Com colagens absurdas, textos sarcásticos e dicas malucas, o intuito era tirar onda do meu próprio conflito.

O zine rodou o mundo e minha filha já já fará 4 anos. A irreverência ainda é meu parâmetro em (quase) todas as escolhas, mas como mãe já não sou mais a mesma: um senso político adormecido surgiu com força. Comecei a questionar o mundo – afinal esse mundo vai ter tanto impacto na formação dela quanto eu. Assim, o Motherhood #2 é uma consequência inevitável de ter virado mãe de outra mulher. O que eu quero agora? Garantir nosso espaço e nossos direitos no mundo. Quem se junta?

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