Made in Brazil
Carol Sganzerla, diretora de redação, fala sobre as coisas que só acontecem por aqui
Créditos: Luiz Maximiano
em 12 de dezembro de 2011
Só no Brasil acontece de uma cantora nascer na periferia do Norte do país e ficar conhecida como “Beyoncé do Pará”. Só aqui, em uma canção chamada “Xirley Xarque”, se ouvem frases como “café coado na calcinha, para te enfeitiçar” e “eu vou samplear, eu vou te roubar”. Só na música brasileira poderiam existir histórias como a de Gaby Amarantos.
Chamada de “diva do tecnobrega”, essa paraense de 33 anos ganhou fama quando criou, meio que sem querer, uma versão de “Singles ladies” (“Hoje eu tô solteira”), em um festival no Nordeste. Depois de anos de batalha, agora vem colhendo os frutos. Começou no bairro do Jurunas, periferia de Belém, e recentemente se apresentou no VMB, foi elogiada por Hermano Vianna, ganhou perfil num portal norte-americano, teve seu primeiro clipe acessado mais de 83 mil vezes em dois meses e cobra até R$ 50 mil por show. Tudo isso sem sair de casa. Sem precisar se vender às gravadoras, sem “ter” que perder peso, sem mudar seu jeito, assim, genuíno.
Em outro extremo da música popular, já entoava Tom Jobim em “Brasil nativo”: “Brasil, sei lá/ Ou o meu coração se engana/ Ou uma terra igual não há”. Não há, sim, compositor igual a ele. Dora Jobim, neta de Tom, prestes a lançar documentário sobre o avô, conta detalhes da personalidade de um dos criadores da bossa nova, que engrandece ainda mais o seu legado.
Assim como música, futebol é uma das coisas que o Brasil faz melhor. Veja só Neymar. Além do talento com a bola, tem carisma e borogodó de sobra para fazer qualquer mulher ligar a TV num domingo à tarde e assistir ao jogo do Santos. OK. Você pode achar que ele não passa de um menino mirradinho, que nem bonito é. Já olhou direito? Vai lá no ensaio. “Quando a mulher tem um olhar diferente, acho muito bonito”, diz, em tom irônico, aproveitando para provocar a repórter no alto dos seus 19 anos. Neymar, como tudo que é “made in Brazil”, tem bossa.
Feliz 2012.
Carol Sganzerla, diretora de redação
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