La vie du cinéma
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Ninguém solta um pio. Ninguém abre uma bala barulhenta. Ninguém sacode a pipoca. E, sobretudo, no final, todo mundo bate palmas e fica pros créditos. Ai, que delícia ir ao cinema em Nova York – principalmente nos pequenininhos, onde passam aqueles filmes espanhóis, vietnamitas, argentinos. As salas de projeção são templos – os filmes exigem profundo respeito. Quer dizer, nem todos eles, mas tudo bem.
Mas nem tudo é lindo. Tente pedir para um cidadão pular uma cadeirinha pra direita só pra você sentar ao lado do seu namorado numa sessão abarrotada que, provavelmente, a resposta será não. Inexplicável. Ainda assim não há nada melhor do que ficar até o último minuto pra descobrir quem foi o maquiador do set na Guatemala, o motorista no set do Quênia e a música da penúltima cena. Amo.
Ninguém fala com ninguém, exceto numa sessão no Lincoln Plaza onde assistimos Caché, com Daniel Auteil e Juliette Binoche, da França. Ninguém estava entendendo lhufas. A solução foi terminar a noite numa pequena roda de debate na porta do cinema. Ali estavam italianos, americanos e até um brasileiro. Na hora da despedida, um senhor americano, falante, meio filósofo, disse: “Em tempo, sou homeless. Moro em cima de uma árvore do Riverside Park. Podem ir lá me visitar”. Voilà, um desfecho nova-iorquino para um filme francês.
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