por Vitor Angelo
Tpm #85

O que os jovens vestidos de preto fazem na época de samba, suor e cerveja? Será que eles conseguem cantar “quanto riso, oh, quanta alegria”? Tratamos de investigar

Nos anos 80 era comum os darks se trancarem em um quarto durante o Carnaval e ficarem escutando em uma vitrola – esse aparelho de som dinossáuri­co – todos os discos do Joy Division, sofrendo com to­da a felicidade que acontecia na rua. Mas hoje, com o mas­sacre midiático da folia, como os emos – uma ver­são mais lacrimosa dos antigos góticos – conse­guem se livrar do rei­nado de Momo?

“Eu simplesmente não saio de casa nem vejo TV nessa épo­ca”, diz Polly, 15, estudante.

Mesmo assim, os emos são menos radicais que seus an­ces­trais e seguem o lema: se não pode com eles, junte-se a eles. Car­los Vinicius, 19, estudante, as­sume com moderação que gosta do Carnaval. “Na mi­nha cidade, Santana do Parnaíba, tem muito bloco de rua e é impossível não saber as marchinhas”, diz.

E tem emo superintegrado com o samba, como o motoboy Leandro Prudente, 26, que assume com or­gu­lho que sai na es­co­la de samba Imperador do Ipi­ranga. “Carnaval é coisa de play­boy, o mais alter­nati­vo é sair em escola de samba em São Paulo, que é su­pe­runderground”, defende a amiga de Leandro, Mar­cia Ser­pa, 20, estudante.

Leandro foi também o único dos entrevistados que admitiu saber sambar. Deu para perceber que as letras mais tristes são as preferidas do povo do emotional core. “Adoro aquela que diz: ‘Tomara que chova três dias sem parar’, porque esse sol todo me irrita”, diz Clarice Pontes, 18, estagiária. Joy, que re­cu­sou dizer o nome verdadeiro e a idade, disse que odeia todas as marchinhas, mas que, se pudesse, faria uma versão mais pe­sada “daquela que diz: ‘Ó jardineira por­que estás tão triste...’, porque, apesar de a música ser uma chatice, a letra é linda”.

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É importante ressaltar que todos os en­tre­vis­ta­dos não se consideram emo. Mas são exatamente o estereótipo dos jo­vens que curtem um emo­co­re. “Emo só existe como um estilo de música. Muitas músicas de pagode podem ser conside­ra­das emo, pois muitas falam de dor”, en­si­na Carlos, debaixo de sua touca de lã em pleno verão. Alalaô, mas que calor!

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