por Carol Ito

Os adeptos da kemética acreditam que a modalidade já era praticada no Antigo Egito, há mais de 3 mil anos a.C.

Uma prática ancestral, semelhante ao que conhecemos hoje como ioga, pode ser vista nos desenhos das pirâmides milenares. É o que defendem os estudiosos da ioga kemética, nome que faz referência à região do Kemet, na língua egípcia, ou Antigo Egito. A prática começou a ser difundida nos Estados Unidos na década de 1970, incorporando o termo "ioga" e tem como foco o controle da respiração, o equilíbrio entre corpo, mente e espírito, além da conexão com a ancestralidade africana por meio da meditação.

A ioga kemétika foi desenvolvida pelo Dr. Asar Hapi e, posteriormente, por seu discípulo Yirser Ra Hotep, 64 anos, que vem formando instrutores em vários países. Yirser, coordena a escola YogaSkills, em Chicago. O Kemet, região no norte da África, teria abrigado a primeira civilização do planeta, onde foram criados os movimentos que inspiraram a ioga, de acordo com Yirser. Ele fez mestrado na Northeastern Illinois University Center for Inner City Studies para se aprofundar na língua, história, filosofia, sistemas espirituais da cultura kemétika e depois seguiu para o Egito em busca de textos, artefatos e símbolos que o ajudassem a fundamentar a prática. 

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Na ioga kemétika, a meditação pode ser usada para estabelecer conexão com os ancestrais africanos, diferentemente da versão indiana, explica à Trip Yirser. Além de uma prática, é também uma filosofia: "Existe um conjunto de histórias e mitologias únicas que ensinam lições sobre o significado da vida e os princípios universais”.

Emaye Ama Mizani, de 26 anos, é instrutora de kemética do Rio de Janeiro. Ela explica que a prática não veio para disputar espaço com outros tipos de ioga, mas para promover uma “volta pra casa”, reconhecendo as contribuições que o povo africano deixou. “É uma forma de nos reconectar com a nossa ancestralidade”, explica Emaye. 

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De volta às raízes

É importante frisar que a modalidade nasceu na África, e não na Índia, defende Rosangela Natalino, 54 anos, instrutora brasileira que mora em Waltham, nos Estados Unidos. “Tudo o que é originário da África foi renomeado por outras etnias, por isso temos o compromisso de resgate”, afirma. Yirser considera que houve um processo de dissipação do Kemet na história: “Os europeus tentaram negar que o Antigo Egito é uma civilização africana porque contradiz as ideias da supremacia branca. É muito difícil admitirem que a fonte da civilização ocidental é o povo negro da África”, defende.

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Para Rosangela, conhecer a história africana foi como “nascer de novo”. “Não há nada como ser uma mulher afrodescendente e descobrir um legado totalmente diferente do que aquele aprendido. Se a gente conhece a nossa história, nossa ancestralidade, somos pessoas melhores”, acredita. A instrutora planeja retornar ao Brasil em 2018 para inaugurar a Casa de Maat, em Paraty (RJ), um espaço destinado ao ensino da ioga kemética.

Créditos

Imagem principal: TripTV

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