Idolatria também é doença

Meus colegas jornalistas – mais uma vez – estão exagerando na cobertura e idolatria de um ser humano. A CNN já cansou, as bancas só tem capa com o cara (com todos os rostos que ele conseguiu ter). Já deu. Idolatria faz mal, muito mal. Michael Jackson cantava bem, dançava para burro, revolucionou a música. Comprei sim o disco do Thriller na época que estourou, e adorava. Mas é só.
No mais, ele era um ser estranhíssimo, dizia que tinha filhos – que obviamente não eram dele -, negou a própria raça, diz-se que molestou crianças (culpa das mães que as deixou com ele), apareceu de pijama na corte (existe desrespeito maior com um juíz?), fez tanta plástica que virou um ET. Em todas as rodas, o assunto é este.
Por isso ele não merece idolatria. Por isso, ele não merece ser chamado de “King”. Mas os americanos vivem buscando uma monarquia. De um dia pro outro, eles varreram o Irã do noticiário e passaram a dissecar todos os aspectos da morte de Michael Jackson. O que importa com quem os filhos dele vão ficar? O que importa quantos quartos tem o tal do Neverland? Sabe quantos heróis tem esse país? Médicos, bombeiros, ativistas. Tem gente melhor que ele – mas que, por acaso, não sabe cantar. E não dão dinheiro para os manipuladores da mídia.
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