por Ariane Abdallah
Tpm #86

O ator Guilherme Berenguer conquistou coisas de gente grande, sem perder o jeito de menino

Se tirar a barba, o pernambucano Guilherme Berenguer passa fácil por 20 anos. É difícil dissociá-lo da imagem de moleque da época em que era protagonista de Malhação, em 2004. Foi esse primeiro trabalho na televisão que fez com que os traços deli­cados de seu rosto passassem a ser reconhecidos na rua e ilustrassem capas de revistas teens. Hoje, outros personagens e alguns episódios da vida real não deixam dúvidas de que estamos diante de um homem feito. Aos 28 anos, o caçula de quatro irmãos – todos só por parte de mãe – levou a matriarca de Recife para o Rio de Janeiro, onde montou “a estrutura para ela morar”, sente-se pai de Paulinho, o irmão de 38 anos que é portador de síndrome de Down, namora há 11 meses uma menina que não é atriz, apresenta o programa Globo Ecologia e interpreta um publicitário na novela das seis, Paraíso, na Globo. Agora, garante que tem um “público feminino amadurecido”.

Guilherme também amadureceu desde que começou a carreira. Descobriu-se ator quando, na adolescência, fazia números de teatro de rua com os amigos pernambucanos. Aos 19 anos, mudou-se sozinho para São Paulo, trabalhou como modelo e fez co­mer­ciais. “Sempre fui obstinado pelos meus objetivos. Fazia o que dava retorno financeiro para investir no que queria”, assume. Assim, participou do Grupo de Teatro da USP, estudou um período no Teatro Escola Célia Helena e leu muito antes de ser convidado para estrear na Globo, quando mudou para o Rio de Janeiro.

Com dois longas-metragens, quatro peças e gravando a terceira novela da carreira (ele também participou de Bang Bang), Guilherme descansa aos domingos. Foi numa dessas folgas, às 13h30, que uma mulher atendeu o celular dele quando a reportagem da Tpm ligou para tirar umas dúvidas. Em seguida veio o ator, com voz de sono: “Hummm, pode ligar em meia hora?”. Esse é o dia que ele aproveita para correr – participa de maratonas sempre que pode – e ficar com a namorada, a estudante de psicologia Bianca Cardoso, que conheceu numa viagem a Los Angeles.

Namoro é tema sério para Guilherme. Em 2004, a imprensa divulgou que ele teria declarado ao programa TV Fama, da RedeTV!, que casaria virgem por ser evangélico. Quando perguntamos se é religioso, a resposta é monossilábica: “Não”. Quanto à suposta declaração, ele garante que não disse bem o que foi pu­bli­cado. “O que sempre falei é que não sou a favor da promiscuidade. Sou monogâmico radical. Isso tem a ver com postura de vida.”

COPO MEIO CHEIO
A postura de Guilherme é de quem escolhe ver os fatos pela perspectiva do copo meio cheio. “Esta semana, cheguei de uma gravação e estava escovando os dentes, quando senti uma alegria tão grande pela minha vida, que comecei a chorar, de gratidão”, confessa. Se fosse pessimista, provavelmente ele enfatizaria ou­tros episódios de sua vida, como só ter conhecido o pai aos 13 anos. “Cresci com minha mãe e sei que meu pai é vendedor”, é tudo o que diz. Ou poderia ainda se chatear ao falar do irmão que tem síndrome de Down. Ao contrário, o tema faz o ator engrossar a voz. “Se mexerem com ele, sai de perto.” Os dois brincam juntos. “Eu faço vídeos, coloco óculos nele, digo que é um ufólogo e faço uma entrevista: ‘Dr. Paulo, o senhor tem estudado tal caso...’” [risos]. Apesar dos feitos de gente grande, Guilherme ainda tem muito do menino que soltava pipa e passava férias na praia quando criança. Algum mal nisso?

Você é vaidoso?
Dentro do possível. Não gosto de pesar 3 quilos a mais, ajeito o cabelo e passo protetor solar. Mas não faço a unha.

Qual a expressão que você usa sem parar?
“De repente...”

Qual foi o maior exagero que você já cometeu?
Comer 30 pedaços de pizza numa noite.

Do que você mais gosta em você?
Do sorriso!

O que você mais detesta em você?
Me cobro demais!

Que mania você tem que só quem convive, muito de perto, conhece?
De pular da cama cedo.

Como você se imagina aos 60 anos?
Cor­­­rendo maratonas, de bem comigo mes­mo. Gostosão, sarado e charmoso.

Se sua casa pegasse fogo, o que salvaria?
Eu e minha família.

Qual seu maior vício?
Café.

O que comeu ontem?
Sanduíche integral com queijo de Minas.

Você gosta de mulheres que tomam a iniciativa?
Prefiro tomar a iniciativa.

O que você considera pior no comportamento das mulheres?
Fofoca e falar pa­la­vrão como se fosse vírgulas.

E o que mais admira numa mulher?
Inte­gridade e força de von­tade. Fisi­ca­mente, o olhar...

Qual a palavra de que mais gosta?
“Sha­baras”, uma palavra que inventei. Acho sonora e diria que significa alegria.

Estilo Ana Hora / Assistente Maria Bia Machado / Assistente de foto Maria Silvia Radomile / Agradecimento Confeitaria Colombo www.confeitariacolombo.com.br

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