por Gaía Passarelli

Dance, ria, beba, esteja entre amigos. O Carnaval é um momento de catarse no fim do mundo. Aproveita!

Excepcionalmente, essa coluna não é sobre viajar. Quero dizer, é um pouco, porque no Carnaval tem quem goste de fugir pra montanhas (praia, campo) e esquecer o mundo lá fora. Mas também há aquele povo com gana de abraçar a loucura do mundo no período. Ah, como tem!

Pra esses e pra quem tá em dúvida do que fazer com o feriado iminente, queria pedir que abrace, celebre e encare esse Carnaval de 2017 como ele é: um momento de catarse no fim do mundo. Esteja você em Recife, Rio, BH ou São Paulo, entenda que estamos na etapa levanta-sacode-a-poeira, como canta a Beth Carvalho. Só não sabemos se a volta por cima vai rolar. Parece que não.

Eu sei que minha última coluna teve um clima pra cima de "hey, não é tão ruim, vamos dar as mãos e seguir de cabeça erguida". Mas também sei que na loucura diária que estamos vivendo, esse tal de dar as mãos anda difícil. E aí, amor, só Elis explica.

Historicamente, o Carnaval serve pra extravasar mesmo. Os babilônicos já entendiam isso e tinham uma temporada sagrada, as Sacéias, quando reis e escravos trocavam de papéis durante alguns dias, com direito a surras e orgias, torturas e banquetes. Essas festas podem ter sido embrião das celebrações gregas para Baco e das Saturnálias romanas, festas com dias de duração dedicadas tanto às divindades infernais quanto à purificação.

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Já no mundo católico o Carnaval é uma festa de loucura e fantasia que acontece em todo o mundo. Sim, o Carnaval pode até ser sinônimo de Brasil, mas existe nos EUA, na Austrália, na Colômbia, na Bélgica e em todo canto, com algumas variações de datas de início e fim, com figurinos e tradições diferentes, mas sempre com a mesma verve: é uma temporada em que é permitido ser quem não se é no dia a dia.

O Carnaval também serve para armazenar os pecados que serão pagos durante o período da Quaresma, entre a Quarta-Feira de Cinzas e o Domingo Pascoal quando, na teoria, reina a resignação espiritual, o comedimento e o expurgo de culpas. Isso na teoria, claro. Na prática, quem se importa? A única católica que conheci que seguia a Quaresma foi uma tia-avó e ela morreu há dez anos.

O Carnaval é uma desculpa pra dançar, rir, beber, estar entre amigos, esquecer problemas, beijar na boca e/ou tomar decisões questionáveis tipo encher a casa de glitter e a cara de catuaba. E tudo bem. Tamos aqui pra isso mesmo. Aproveite.

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