por Carol Sganzerla
Tpm #96

Filho de Fabio Jr., vocalista, ator, irmão de Cleo Pires: o primeiro ensaio de Fiuk

A cara do pai ele tem. De quem é filho? Essa é fácil: pinta de galã, olhos grandes, olhar certeiro, lábios bem contornados, rosto triangular. Nenhum palpite? Puxa pela memória: anos 70, Malu Mulher e Bye Bye Brasil; anos 80, Roque Santeiro; anos 90, Pedra sobre Pedra. Seus personagens eram escancaradamente sedutores, e suas canções, românticas ao quadrado, permeiam até hoje a imaginação de uma legião de mulheres. Eis o pai, Fabio Jr.

Fiuk segue a mesma trilha. Como o próprio diz: “Parece que sou meu pai versão 2000, é meio doido. Ele é meu ídolo. Quero um dia ter 40 anos de sucesso”.

Pinta – e nome – de popstar, Fiuk também tem. Quando a reportagem da Tpm encosta para pegá-lo na casa de Alphaville, em São Paulo, pouco antes de abrir a porta vestindo calça skinny fluorescente, chapéu e Ray-Ban, a namorada, a produtora de moda Natália, 27, rasga o vento – e a cartilha da educação –, dirige-se até seu carro a passos decididos e se manda. Brigaram? “É aquele ciúme de sempre... coisas que acontecem, normal. Uma relação sem ciúme não é uma relação”, acredita. E a faísca aumenta quando o namorado em questão é o vocalista da banda Hori, sensação juvenil que emplacou a música tema de Malhação ID, em que Fiuk faz as vezes de mocinho. “O Filipe tem um sex appeal danado, um carisma nato, as meninas ficam encantadas. Ele sabe o que quer”, descreve Mário Márcio Bandarra, diretor-geral do folhetim.

Fiuk foi dar pinta de galã em Malhação ID depois de gravar As Melhores Coisas do Mundo, longa da diretora Laís Bodanzky sobre adolescentes, nos cinemas em abril. Foi a primeira vez que atuou, nunca pretendeu estudar interpretação. Seu negócio sempre foi a música. “Sou grato à minha mãe porque ela me obrigou a tocar violão quando tinha 8 anos. Meu pai já dizia: ‘Faça o que quiser, desde que seja feliz’.” Fiuk compunha desde moleque, involuntariamente. “Aos 10 anos, saquei que podia colocar para fora, com melodia, nota e letra, o que estava sentindo”, lembra. O menino é emotivo, chora nos shows e não esconde nada disso. Sua mãe, a artista plástica Cristina Karthalian, enfatiza: “O Filipe desde garoto é muito sensível, criativo, desmontava e montava todos os brinquedos que ganhava. Sua criatividade vai longe, é difícil acompanhar o ritmo dele. Ele está conversando com você, aí de uma frase sai uma ideia para uma música e o raciocínio vai embora. Não sente para falar com ele sobre o tempo”.

“Parece que sou meu pai versão 2000, é meio doido. Ele é meu ídolo. Quero um dia ter 40 anos de sucesso”

Caçula de duas irmãs do terceiro casamento de Fabio Jr., quando completou 13 anos fez as malas e foi morar com o pai – separado da mãe desde que o filho tinha 2 – para ficar mais próximo. “Ele era ausente quando eu era pequeno, fazia 160 shows por ano. Eu não entendia, só sentia falta. Mas sempre aceitei que cada um tem um jeito e acho um erro cobrar dos outros o que a gente não tem”, solta.

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Colírio
Fiuk é sincero quando diz não saber quantas vezes seu pai se casou. Isso é preocupação dos outros. Blablablá. E se identifica com a postura do pai diante dos relacionamentos. “Ele não assina um contrato para a vida toda. Enquanto está rolando amor, está casado. Concordo com ele totalmente. Tem que viver”, acredita. Da união de Fabio Jr. com Gloria Pires, Filipe tem como “irmãzinha” a atriz Cleo Pires, dona de traços semelhantes. “Vejo coisas minhas nele, como determinação e amor pelo trabalho. Ele é muito intuitivo e tem uma gratidão imensa pela vida. O Filipe é um menino consciente.”

Das escolhas que tem feito, consciência é o que o guia. Laís Bodanzky, primeira cineasta a dirigi-lo, reforça esse traço da sua personalidade ao contar sobre As Melhores Coisas do Mundo: “No primeiro teste ele veio com muita verdade, com uma naturalidade que me chamou a atenção. Quando ganhou o papel, ele se espantou, mas viu que poderia dar conta das emoções. Ele já era um ator preparado”, conta a diretora. E emenda: “No filme tem uma cena de choro em que falei: ‘Fiuk, é supernormal pingar colírio nos olhos porque preciso da lágrima’. Ele disse: ‘Não precisa’. Insisti: ‘Escorrer ou não uma lágrima não significa ser bom ou ruim ator’. E ele: ‘Laís, liga a câmera que eu vou chorar’. Aí ele chorou, e quando eu disse ‘corta’ soltou uma gargalhada. O Fiuk tem muita consciência do personagem, ao mesmo tempo em que consegue um olhar crítico de espectador”. Divirta-se, então, com a versão 2010 de Fabio Jr.

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