por Camila Eiroa

A cantora conta o que vem por aí em seu quarto álbum solo. Escute a primeira faixa

Vocalista de uma das bandas de rock nacionais mais influentes dos anos 90, a Pato Fu, Fernanda Takai passeou por caminhos diferentes com três CDs em carreira solo. São eles: Onde Brilhem os Olhos Seus, com músicas de Nara Leão, Luz Negra e Fundamental, uma parceria com o músico Andy Summers, ex-guitarrista da banda inglesa The Police. 

Com a banda, foram 11 CDs lançados. O último deles, Música de Brinquedo, traz versões de Rita Lee, Zé Ramalho, Paul McCartney e outros artistas, todas feitas em instrumentos de brinquedo. O resultado foi tão incrível que rendeu um Disco de Ouro em 2011, ano de seu lançamento.

São mais de 20 anos de carreira que deram vida a esses projetos e tantos outros, como a escrita de crônicas e lançamento de dois livros (Nunca subestime uma mulherzinha e A mulher que não queria acreditar). Hoje, Fernanda está para lançar seu 4º CD solo, que vai ter apoio do Natura Musical.

Em conversa com a Tpm ela contou o que podemos esperar desse novo trabalho. 

Tpm Esse vai ser o seu quarto CD em carreira solo, sem o Pato Fu. O que ele tem de diferente?
Fernanda Takai O que ele tem de diferente em relação ao que eu fiz solo é que todos os meus trabalhos até então foram basicamente como intérprete. Eu senti necessidade de mostrar a minha cara. As pessoas as vezes se esquecem que eu tenho um trabalho autoral há 20 anos no Pato Fu com músicas minhas. Como o Música de Brinquedo, que tem música de outras pessoas, e o Onde Brilhem os Olhos Meus, que são canções da Nara Leão, chamaram muito a atenção das pessoas, isso se perdeu. Minha própria filha perguntou outro dia “Mãe, essa música veio da sua cabeça? Você que inventou essa música?” Então acho legal mostrar para o público esse lado.

É um disco mais pessoal? Sim, com certeza. Eu gravei recentemente com o Andy Summers o Fundamental, que é um disco de dois artistas. Então eu não decido a capa sozinha, eu não decido tudo sozinha. Assim como com a banda.

Qual a sensação de fazer um disco dessa maneira? Tem coisas que eu tenho nesse disco que não cabem no Pato Fu por uma questão de serem quatro homens e eu. Meu estilo de seleção de repertório é mais delicado, sabe? Então tem algumas coisas que eu posso escolher cantar que os caras não topariam de jeito nenhum. Tem uma democracia artística na banda. Afinal, são cinco vetores, não é só a minha força. Não posso falar que toco o que eu quiser, assim como eles também não. Tem que ter um respeito mútuo. Por isso esse é o sentimento que eu tenho nesse trabalho novo, o de as escolhas serem minhas.

 

"É um disco de mulherzinha no bom sentido"

 

Quais as parcerias que você pode adiantar? Tem uma música que eu fiz em parceria com a Marina Lima e o Climério Ferreira, tem uma minha com o Marcelo Bonfá, tem uma versão de uma música da Julieta Venegas, tem outra parceria que eu não posso falar [risos]. Mas tem também o baterista do Tianastácia, o Glauco, o PJ do Jota Quest que toca como músico convidado... São pessoas que eu quero que estejam comigo, pessoas que eu admiro. Tem coisa que é só minha também, sem parceria. E não são todas inéditas, algumas eu vou pegar e desconstruir. Tem cinco músicas inéditas. É um disco de mulherzinha, no bom sentido.

E o que seria um disco de mulherzinha no bom sentido? [risos] Igual ao Nunca subestime uma mulherzinha, que é o nome de um dos meus livros. Sabe aquela mulherzinha que você vê ali magrinha, pequenininha e tudo mais? Então, olha só o que ela fez ou o que ela pode fazer! Como praticamente todas as mulheres, eu tenho várias coisas pra fazer ao mesmo tempo: cuido de casa, filhos, três cachorros, gato, canto solo, canto com banda, escrevo crônica, lanço livro, ilustro coisa... É um disco com um olhar feminino, no melhor sentido.

Qual é a música da Julieta Venegas que você fez a versão? Eu fiz a versão em português da "Dulce Compañia/Doce Companhia". Mandei pra ela há pouco tempo e ela adorou. A Julieta conhece e gosta muito do Pato Fu há bastante tempo. Quando eu disse que iria fazer a versão, ela disse “por favor, faça!”. É uma música não muito conhecida dela.

Já começou a gravar? As gravações já começaram, tenho estúdio em casa e faço esse processo lá mesmo. O repertório já está fechado e vão ser 13 músicas.

Rápido. Sim, porque está muito claro pra mim o que eu tenho que fazer nesse disco.

E quando sai? Sai no primeiro trimestre, quero lançar estourando no final de março.

Atualização: Escute a primeira faixa divulgada, "Seu Tipo", uma parceria com a Pitty https://soundcloud.com/deckdisc/seu-tipo

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