Estudo mapeia comportamento do brasileiro durante a pandemia

por Dandara Fonseca

A epidemiologista Edlaine Faria de Moura Villela coordena uma pesquisa internacional que quer ajudar as autoridades de saúde a tomar decisões mais efetivas para o controle da doença

A epidemiologista Edlaine Faria de Moura Villela estava prestes a viajar para participar de um estudo na Bélgica quando a pandemia de Covid-19 começou. Professora da Universidade Federal de Jataí, em Goiás, ela foi aprovada em um edital para estudar a oncocercose, doença transmissível causada por um verme parasita, junto ao professor Robert Colebunders, da Universidade de Antuérpia.

Mas os planos mudaram. A pesquisa foi interrompida e Robert desenvolveu o "International Citizen Project Covid-19 (ICPCovid)", um consórcio internacional formado por 20 países que busca saber se as medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelas autoridades locais para conter a disseminação do coronavírus estão sendo seguidas pela população. Edlaine foi chamada para coordenar o projeto no Brasil.

A pesquisa pretende estudar os hábitos comportamentais da população em relação ao coronavírus para que seja possível traçar estratégias de prevenção e controle mais certeiras. “Como é tudo novo para todo mundo, é aí que entra o papel da ciência. Temos que observar o comportamento das pessoas, o que está dando certo e o que não está para tentar orientar as autoridades de saúde a tomar as decisões mais efetivas para o controle da doença”, diz Edlaine. “Por exemplo: o uso da máscara. As pessoas estão usando ou não? Como isso pode refletir no quadro de evolução do número de casos e óbitos no Brasil?”. 

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Para acompanhar a evolução da doença em cada país, o estudo mapeia o comportamento da população em diferentes momentos através de um questionário online. No Brasil, a epidemiologista conta com uma rede de 25 colaboradores nos estados de Goiás e São Paulo. A terceira fase do estudo brasileiro está aberta até domingo e, para participar, levam 10 minutos para responder as perguntas neste link. Nas primeiras etapas, realizadas em abril, mais de 30 mil questionários foram preenchidos. "Pessoas de todos os estados brasileiros participaram, inclusive que moram em áreas rurais. Foi uma surpresa conseguir chegar até esses locais e faz toda a diferença", diz Edlaine. 

Os resultados preliminares do estudo mostraram que o isolamento tem sido respeitado pela maior parte da população, já que mais de 50% passaram a trabalhar em casa – o que pode ter contribuído para atrasar o pico da Covid-19 no Brasil. No entanto, 42% afirmaram ainda que tinham contato físico com pessoas fora de suas casas.

Um ponto positivo é que a maioria dos participantes demonstraram aderir às medidas preventivas individuais. 92,6% cumprem a regra social de se manter a mais de um metro de distância das outras pessoas e 69,5% cobrem a boca e o nariz quando espirram e lavam as mãos logo depois. O uso da máscara facial cresceu bastante entre as etapas da pesquisa, conforme a pandemia se agravou: “Na primeira fase, 45% das pessoas disseram não usar máscaras, o que nos preocupou. Na segunda fase, esse número caiu para 10%”, conta.

Outra mudança entre o início e o final de abril foi a preocupação das pessoas com a própria saúde, já que antes elas demonstraram temerem principalmente por seus familiares e amigos. A pesquisa também observou dados na alimentação e concluiu que, durante a pandemia, a maioria dos participantes estão se alimentando de forma mais saudável e buscando consumir mais vitaminas e minerais. 

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O estudo tem se dedicado a analisar também o impacto global da pandemia no cotidiano de pessoas que vivem com o vírus HIV ou doenças como epilepsia. “Existem várias comorbidades que apresentam fatores de risco para a Covid-19. O estudo quer observar o que as pessoas com essas doenças estão passando neste momento, se estão conseguindo os medicamentos necessários ou tendo alguma dificuldade para manter o tratamento, entre outras questões”, explica a cientista. As respostas são obtidas por meio de formulários específicos para cada grupo, que estão disponíveis no site do ICPCovid.

Para Edlaine, além da experiência de troca com pesquisadores internacionais, o período tem sido uma oportunidade de aprendizado pessoal e uma maior atenção para as desigualdades sociais presentes no país. “Enquanto temos preocupações pontuais, existem pessoas que não têm como fazer a higienização das mãos porque não tem água. É uma oportunidade da abrirmos os olhos para muitas doenças que já vem acontecendo há muito tempo e que ninguém dá a devida atenção”, diz.

A pesquisadora também afirma que ser mulher na área da ciência é um desafio, antigo e que continua existindo nos períodos atuais. No entanto, apesar de todas as dificuldades, é preciso seguir superando e avançando: “As pesquisadoras e cientistas têm conseguido conquistar o seu espaço, e podemos observar isso mundialmente principalmente nesse cenário da pandemia. Líderes mundiais femininas também tem conseguido lidar positivamente com o enfrentamento da Covid 19 e isso é incrível.”

Créditos

Imagem principal: Pilar García-Ferrer

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