por Ana Luisa Abdalla
Tpm #155

Negra, gorda e moradora de comunidade, a funkeira carioca rouba a cena ao bater de frente com os padrões de beleza.

 

A funkeira Tati Quebra Barraco, junto com o produtor Rafael Ramos, escolheu cinco mulheres do funk pra formar um novo grupo musical. Sob o comando de Tati, elas estão sendo preparadas para dividir o palco e realizar um show inesquecível. Essa é a premissa do reality show The Lucky Ladies, em exibição na Fox Life Brasil desde abril, que colocou MC Carol, MC Sabrina, Mary Silvestre, Karol K e Mulher Filé em uma mesma cobertura luxuosa em Copacabana, no Rio de Janeiro.

MC Carol roubou a cena já nos primeiros episódios. Aos 21 anos, a funkeira fala com orgulho do Morro do Preventório, comunidade de Niterói onde mora desde que nasceu. Com todo carisma e rebolado, diz que é gorda, sim, e sexy, sim. No programa, contou sobre o marido ciumento, “que quebrava suas coisas” e a trancava dentro de casa, e o que fez para que ele mudasse a forma de agir: “Fui à delegacia registrar a queixa e ele teve que se enquadrar”, disse à Tpm. Com a atitude, MC Carol se tornou um exemplo nas discussões sobre o machismo e a relação da mulher com o corpo. “Percebi que eu podia ser uma voz.”

Quando você começou a frequentar bailes funk? Eu tinha 16, 17 anos. Na primeira vez que fui num baile, fui chamada pra cantar, eu não conhecia baile. A geral gostou e toda semana eu voltava com a ajuda de alguém porque não tinha dinheiro pra passagem de ônibus. Até que fui parar na Furacão 2000 [produtora e gravadora de funk carioca] e na TV.

Você canta faz tempo? Tem cinco anos. Decidi que queria fazer isso quando entrei no palco e vi que todo mundo gritava meu nome e cantava minhas músicas.

Você sempre foi gorda? Sim!

Como lida com isso? Eu nunca sofri preconceito por ser gorda, só dentro da família tinha umas piadas. Agora, por ser negra, já sofri preconceito, mas sempre tive muita autoestima, sempre fui muito pra cima.

No Lucky Ladies, você falou sobre o relacionamento com seu marido, que ele te trancava em casa e era muito ciumento. Por que continuou com ele? É, contei que ele quebrava as coisas dentro de casa e eu agredia ele. Fiquei porque eu amo meu marido e meu marido me ama, acreditei que ele poderia mudar – e mudou. Antigamente ele era obsessivo e hoje está muito mais tranquilo com relação a ciúmes.

Você tem uma música que diz “Meu namorado é maior otário/ Ele lava minhas calcinhas”. Quem era esse namorado? Fiz a música antes de ficar com meu marido e acabou que a vizinhança falava que era pra ele. Eu botei “otário” para dar impacto, mas, na verdade, acho inteligente homem que ajuda a mulher em casa porque, se o homem larga tudo nas costas da mulher, como que a mulher vai ter gás pra fazer amor? Eu só consigo fazer amor nove vezes ao dia porque meu marido faz tudo dentro de casa, me faz massagem e me deixa relaxada!

Quando se deu conta de que poderia ser uma voz para mulheres? Falando sobre mim nas músicas e nas redes sociais, sem querer, levantei bandeiras contra os padrões de beleza, o machismo, o preconceito e a homofobia. Recebo várias mensagens de fãs, homens e mulheres, que se identificam com o que vivi, e foi assim que percebi que poderia ser um exemplo. 

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