por Hermés Galvão
Tpm #165

Ator, músico, modelo, galã do momento. Veja todas as fotos do ensaio aqui

De (quase) todos os garotos que chegam ao Rio para burlar a vida real com doses de ficção no mundo artístico, poucos trazem na bagagem (além do sonho) a vocação e a dedicação necessárias para torná-los atores com a intensidade desejada por quem vê da plateia ou da poltrona. Pablo Morais tem qualquer força estranha que atrai; não é sua beleza óbvia ou juventude que chamam a atenção, tampouco os sucessos ainda precoces de uma carreira que começa a tomar força pelo seu talento, carisma e, certeza, por uma nova maneira de olhar a fama e o papel de artista em tempos de crise criativa.

Não sei o que ele fez no verão passado. A última vez em que liguei a televisão ele ainda estava jogando bolas de gude em sua Goiânia natal; mas sei que tudo que é preciso saber sobre a sua vida profissional não está no Google – e o que interessa aqui tanto quanto sua obra é entender como ele, mas já aos 23 anos?, parece ter entendido o sutil de um ofício que existe para emocionar, e não entediar. “Consegui criar um jeito para lidar com as minhas escolhas e, ao mesmo tempo, estar dentro desse sistema artístico sem me incomodar”, diz. “Aprendi que hoje a verbalização existe para clicar e só depois é que vão ler, isso se lerem. Não chega a me chatear, quero mesmo é ter dinheiro para construir situações em que a troca de energia seja mais potente, como um grupo de teatro, por exemplo. Essa é a minha verdade. Você não vai me ver postando no Instagram foto de coisa que não uso, não como e não faço.”

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Mais bem na fita do que na foto, apesar da bem-sucedida carreira de modelo e da chuva de likes que caem sobre seus perfis virtuais e no seu dia a dia de galã do momento, Pablo parece menos epidérmico que o esperado, mas não é surpresa a contar pelo seu histórico, que poderia ter acontecido em uma vila campesina do Leste Europeu ou numa família de livres pensadores de Saint-Germain. Ainda criança, foi levado pela mãe, gerente de limpeza de um hospital em Goiânia, para fazer balé e aulas de tecido acrobático numa contracultura intuitiva que hoje o torna mais versátil e completo que a maioria de seus contemporâneos. “Minha mãe gosta de arte, mas nunca viveu esse mundo, o que teve foi uma percepção angelical. Me viu dançando na sala de casa e, no dia seguinte, eu já estava estudando.” Ainda na capital goiana, aos 9 anos, começou a desfilar para marcas locais ao mesmo tempo em que ensaiava os primeiros passos como músico – sim, o cara compõe e toca violão.

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Depois de estudar música erudita no Lincoln Center em Nova York, hoje ele faz shows pela cidade com sua banda ATribo e é amigão e ex--roommate de Marina Lima, unha e carne com direito a tatuagem igual a dela (ambos têm escrito no braço “arriscar e amar até o fim”, frase do disco O chamado). “Ela é um termômetro para mim. Me influenciou muito, a energia que ela carrega é foda e, como eu escrevo poesia, é emocionante tê-la como grande mentora e ídolo.” E mais: lançou um EP no qual canta ao lado de Seu Jorge num clipe, tendo a top model Alessandra Ambrósio como musa. De vez em quando se junta a Zeca Veloso, filho de Caetano, para criar canções que misturam beats e instrumental. “Todos esses momentos fizeram grande diferença no que sou hoje. Tenho o cu virado para a lua mesmo.” Pablo entra em estúdio este mês para gravar um novo EP. “Faço uma mistura de rock, maracatu e percussão, sem definição de gênero. Pra que dar nome a tudo?”

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Chegou ao Rio aos 14 trazido pelo booker Sergio Mattos, famoso por revelar semideuses que vão parar em editoriais de moda fotografados pelos melhores profissionais do circuito – Mario Testino, Terry Richardson e Bruce Weber, por exemplo, bateram o olho e a foto em seguida. Com eles, já estrelou campanhas para a marca carioca Blue Man e a franco--italiana Moncler. Antes do glamour bater à sua porta, Pablo morou no Morro do Vidigal, onde começou a estudar no Grupo de Teatro Nós do Morro e, em troca de casa e estudos com o diretor e fundador da trupe Guti Fraga, trabalhava na manutenção do espaço, um casarão no centro nervoso da comunidade, de onde saíram nomes como Roberta Rodrigues, Thiago Martins e grande elenco. “Arte não se ensina, se aprimora, mas lamento que tenha virado indústria. Como pode um curso de teatro custar R$ 3 mil? Arte não é coisa de rico, é Chaplin na rua.”

Apenas bons amigos?

Aos 15, foi morar em Nova York com a atriz Agatha Moreira, com quem namorou por quatro anos – um parêntese rápido para encerrarmos o assunto ou fazer você, leitor, correr para a Caras mais próxima. Pablo e Anitta, procede? Sim.  Mas ele avisa: “Não chamamos de namoro (ainda) e também, pra quer dar nome? A gente tem saído, se divertido e está bacana. Ponto.”  Podemos evoluir?

Quando ele estava em Manhattan, a TV Globo entrou em contato para que fizesse um teste para a série Suburbia, de Luiz Fernando Carvalho. Seu personagem, o malvado Bacana, seria a sua primeira parceria com o diretor mais artesanal da emissora que depois o escalou para Velho Chico. A participação-relâmpago de Pablo na primeira fase da trama, no papel do jagunço Cicero (agora vivido por Marcos Palmeira), já lhe rendeu mais um convite na Globo. Ao lado de Giovanna Antonelli e Bruno Gagliasso, o ator estará na próxima novela das 6, Sol nascente, de Walter Negrão, com estreia prevista para setembro.

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Momento Capricho: Pablo tem cabelos, lábios e olhos com nuances do Cerrado ou com qualquer coisa cantada por Caetano Veloso em “Trem das cores”. Sua pele tem tons de açaí, mel, castanhos, enfim, depende da luz do sol. Ah, ele foi campeão de remo pelo Vasco e pelo Flamengo, o que lhe deu o corpo que levanta a pergunta clássica: “O que você faz para manter a boa forma?”, e tem dois cachorros da raça Jack Russel, Yang e Spike. Todos vivem em São Conrado, não muito preocupados com o assédio que interrompe sua rotina de corridas e caminhadas diárias. Fora do ar, Pablo voltou a fazer shows, ensaia uma peça de teatro e lê roteiros de filmes que, por razões contratuais, não podem ser comentados. Para o futuro, pretende fazer intercâmbio em Los Angeles para aprimorar o inglês e se aprofundar na dramaturgia. “Sou novo, mas tenho pressa.”

Créditos

Imagem principal: Marina Novelli

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