por Lia Bock

É possível ser amigo do ex? Lia Bock escreve sobre Ex-Casados, programa que ela estreia hoje (30/11) ao lado do ex-marido Ivan Martins, para ressignificar a separação

Em setembro de 2005 a gente se separou. Foram 4 anos de um amor bonito, que minguou sem a gente planejar. Talvez ele (o amor) tenha apanhado um pouco da diferença de idade (18 anos) ou do excesso de cancerianos sobre o mesmo teto. O fato é que entramos para as estatísticas. E segundo o IBGE, não estávamos sozinhos: o número de divórcios cresceu 1.007% entre 1984 e 2014. Mil e sete porcento. Caraca. Mas claro que quando a gente se separa não pensa que acontece com todo mundo. A gente só chora mesmo e lamenta tudo que não vivemos juntos. E olha, a gente se lamentou bastante. Porque no casamento teve até festa (num samba com feijoada e caipirinha) e lista na Tok & Stok.

“Quem nunca se debulhou após o fim de uma relação achando que o sol nunca mais iria se abrir? Se separar é secar... e renascer diferente”

Quem nunca se debulhou após o fim de uma relação achando que o sol nunca mais iria se abrir? Se separar é secar. Endurecer, bater no fundo e... renascer diferente. Sim, não há fim que não seja o começo de alguma outra coisa. E no meu caso e do Ivan foi o começo de uma amizade parceira e doce.

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Veja bem, faz 12 anos desde o fatídico setembro de 2005. E, de lá pra cá, tanto eu quanto ele já nos separamos outras vezes. A gente passou por várias fases até chegar aqui e é sobre elas que vamos falar neste programa. Do ódio à amizade, passando pela recaída, pela stalkiadinha básica e a divisão dos bens. E olha, a gente pensa bem diferente. Não somos nada parecidos. Não foi à toa que nos separamos, não!

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“Separar é difícil e o primeiro gosto é o do fracasso. Mas digerir e transformar faz parte, assim como regar para que outra coisa nasça”

Mas, sim: queremos dar um toque de amor ao que até hoje só vem pintado de trevas. Separar é sempre difícil e o primeiro gosto na boca é invariavelmente o do fracasso. Mas digerir, evoluir e transformar faz parte, assim como regar para que outra coisa nasça. E isso, meus caros, só depende de nós, dessa nova dupla separada que acaba de surgir como uma coisa nova.

E para aqueles que insistem em dizer: “deus me livre ser amigo de ex” ou “se acabou é porque não tem mais nada pra viver”, um alerta. Em 2017, a lei do divórcio fez 30 anos, já está na idade de pagar suas contas e lidar com seus problemas. E isso significa botar os exs em outro lugar. Um lugar claro, onde tenha pelo menos respeito ao amor que um dia nos preencheu. Soa muito utópico? Eu juro que dá. Talvez não com todos os exs, principalmente se teve desonestidade ou algum tipo de abuso na história, claro, mas e aqueles outros tantos que contribuíram pra você ser a pessoa bacana que é hoje?

Houve uma época em que as pessoas se separavam uma única vez na vida e levavam “o ex” (aquela entidade) como um fardo único. Hoje é diferente. Tem gente que antes de sair da casa dos pais já separou diversas vezes. E não venha me dizer que namoro é diferente de casamento. A papelada e o advogado só pioram os sentimentos, mas eles estão todos lá. E o que a gente vai fazer com esse bando de ex? Botar todos num bloco apagado do coração com lacre? Ah, vá, odiar o ex é tão anos 90...

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É por acreditar de verdade que a separação acaba com casamento, mas não necessariamente com o amor, que a gente resolveu fazer o Ex-Casados, um programa criado com as vísceras por um casal de jornalistas cancerianos, com direção de Paula Chrispiniano, roteiro de Antônio Farinaci e produção da Oficina TV. Todo mundo devidamente separado, divorciado, recasado ou enrolado, como eu você e todos nós.

Vai lá: O programa estreia dia 30/11. 

youtube.com/channel/UCdKHGQ2WYhf7ZCbe6I8sERw

facebook.com/excasados/

Créditos

Imagem principal: Mário Sene / Divulgação

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