por Ingrid Guimarães
Tpm #83

Ingrid Guimarães bate um papocom Gabriela Duarte

Amigas há 15 anos, Ingrid Guimarães, nossa editora convidada especial, bate um papo tête-à-tête com Gabriela Duarte

Entre meus palpites para esta edição da Tpm, sugeri apresentar uma de minhas grandes amigas, a Gabriela Duarte, de um jeito que ninguém conhece: o dela mesma. Isso porque, muito por causa da mídia – e também de uma postura dela própria –, as pessoas acabam tendo uma idéia completamente equivocada dessa mulher decidida, irreverente e dedicada. Com vocês, a verdadeira Gabi.

Ingrid Guimarães. Por que as pessoas têm de você a imagem de uma pessoa certinha, morna, boazinha?
Gabriela Duarte. Esta pergunta é o cerne de tudo que estou vivendo hoje. A ficha de que as pessoas me vêem assim caiu faz um tempo. E tem muito a ver com o fato de eu ter nascido num ambiente em que a fama existia, mas o glamour não. Por isso eu cresci sem a menor preocupação, natural na nossa profissão, de querer provar quem sou de verdade.

Acredita que as pessoas têm uma imagem de você que, na verdade, é da sua mãe? Sim, e dá uma tristeza ter que corresponder a uma referência que não sou eu. Só tenho a agradecer por as coisas sempre terem fluido por um caminho digno, mas sei que preciso batalhar mais pela imagem que as pessoas têm de mim.

Ninguém sabe que você fez peça com a [diretora de teatro] Bia Lessa fora do país, que estudou com o [diretor] Antunes Filho, por exemplo. Além disso, fiz outras coisas que ninguém sabe. E isso acontece porque não é da minha personalidade falar: “Escuta aqui, eu sou uma atriz que faço outras coisas!”.

Essa mudança tem a ver com a maternidade? Meu divisor de águas veio depois que a Manuela nasceu. E sempre acreditei que podia mudar essa imagem de uma forma delicada. Hoje sei que não dá, as pessoas só assimilam quando você enfia o pé na porta.

Você tem negado papéis por causa disso? Fiz uma novela [Sete Pecados] até o início de 2008 e foi um ponto final nessas personagens que têm a mesma estrutura: se apaixonam, o namorado dá um pé na bunda, elas sofrem e, no final, ficam juntos. Sempre fui muito caxias com o que os autores esperavam de mim e queria corresponder. Hoje não quero que esperem nada de mim.

E se te chamarem pra fazer o papel da mocinha? Não consigo mais.

Você não faz mais trabalhos com a sua mãe? Não. Tô mais pobre, mas tô mais feliz [risos].

Você colocou Duarte na tua filha? Não. E só hoje estou entendendo meu real tamanho, o quanto as pessoas gostam de mim sozinha.

Mas o pessoal fala “manda um beijo pra tua mãe...”. Deve ser difícil dizer não para uma coisa assim. Às vezes isso beira o desrespeito. Fui a um festival no Amazonas e uma pessoa falou: “Posso tirar uma foto com você? Adoro a sua mãe”. Pra mim, isso está entre o OK e o desrespeitoso. Minha vontade era dizer: “Espera ela vir pra cá e tira uma foto com ela. Não confunda!”. As pessoas acham que você tem obrigação... Não tenho. E preciso começar a contar isso.

Isso tem a ver com o mundo da imagem. A maior parte da mídia só quer saber a cor da nossa calcinha, como é estar casada... Depois que tive nenê, passei um ano e meio tendo que falar como foi que emagreci... Quando me peguei tendo que tirar respostas diferentes da cartola, percebi que tinha algo de muito errado ali! Uma vez fui chamada para fazer uma leitura dramática de duas horas e meia. Quando acabou, chegou uma mulher dessas revistas semanais e falou: “Gabriela, assisti à leitura só para te fazer uma pergunta: como é que você emagreceu depois da gravidez?”. Absurdo, né?

Esta obrigação da imagem, de ter que emagrecer rápido depois de ter bebê, pode não ser um bom exemplo pra quem acha que precisa estar no padrão a qualquer custo. Cansei de ver gente do meio não amamentar. Isso é a coisa mais inconcebível do planeta! Somos mulheres normais, atrizes e não totens... Em 18 anos de profissão aconteceu tanta coisa... Já errei, todo mundo erra. A diferença é que os meus vão parar no YouTube e os das demais pessoas não!

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