por Titi Müller
Tpm #124

Titi Müller não é especialista em sexo, e nem precisa ser pra ter uma vida sexual saudável

Titi Müller esclarece de uma vez por todas: não é especialista em sexo – e nem precisa ser para ter uma vida sexual saudável

Acabo de chegar de mais uma entrevista em que fui chamada repetidas vezes de “especialista em sexo”. Talvez se o jornalista e o veículo não fossem tão babacas eu não tivesse ficado tão irritada como estou agora, porque não foi a primeira nem será a última vez que, quando falo que comando um talk show sobre sexo, percebo que o meu interlocutor passa a me ver como a louca do anal giratório, que faz boquete de 30 centímetros de profundidade e pratica triple penetration.

Gente, peraí. Desde quando falar sobre determinado assunto faz de nós especialistas na prática dele? Adoro aqueles programas sobre serial killers, mas nunca cogitei a possibilidade de sair passando a serra elétrica por aí.

O que o programa que apresento propõe é a simples e despretensiosa troca de ideias, em que ninguém é especialista em nada nem tenta vender a própria opinião como se fosse verdade absoluta. Até porque, em se tratando desse assunto, não existe verdade absoluta.

O sexo oral que aquele cara faz e é incrível pra mim pode ser uó para a minha melhor amiga: tudo depende da química do casal. Mas não adianta: em todos os lugares aonde vou tem alguém pedindo uma dica de como esquentar a relação. Como diz minha mãe, se conselho fosse bom não se dava. Então, tomem estas “dicas” apenas como observações e usem se acharem pertinentes.

1. Não perca tempo lendo nenhum guia que ensine 5 dicas de nada, seja um passo a passo, seja um passo a passo para enlouquecer o seu homem na cama, seja dica para gozar a jato. Quando é que, no meio do sexo oral, você vai parar e pensar: “Putz, fiz errado. Agora era para massagear o períneo dele com o dedo indicador e o do meio, fazendo movimentos circulares”. Ah, vá!

2. Faça seu homem se sentir homem. Nesse atual troca-troca de papéis que já estamos carecas de saber – o homem é a nova mulher, a mulher é o novo homem, batom roxo é o novo nude e blá-blá-blá –, eles estão lá, encolhidinhos no canto. Estamos ganhando mais em tudo: dinheiro, discussão, elevação espiritual etc. E isso dói neles. Vai ser homem pra uma mulher dessas! Eles estão inseguros, diminuídos, e isso reflete na cama. Para o cara te pegar de jeito, ele tem que estar com a autoestima lá em cima. Ou seja: por mais que você saiba se cuidar sozinha, deixe ele pensar que cuida de você. Vai ser bom para todo mundo, porque, no fundo, somos mesmo mulherzinhas e queremos ser cuidadas.

3. Não faça jogo. Essa sempre funcionou comigo. Se está a fim de dar, dê. E dê na primeira. Se for ruim, que pena, mas seria ainda pior se fosse no terceiro ou décimo encontro. Se for bom, ótimo. E se for bom, mas ele não te ligar porque você deu na primeira, melhor ainda. Ele é um babaca machista e você descobriu logo.

4. Seja você mesma. Não existe pessoa ruim de cama, o que existe é incompatibilidade sexual. No momento em que você descobre o que te dá prazer, automaticamente proporciona mais prazer para a outra pessoa. Pertencemos à última geração que não aprendeu a transar assistindo a pornografia – não que não existisse pornô, ele só estava um pouco mais inacessível – e isso é ótimo. Tenho medo da quantidade de gente que começou a vida sexual agora e acha que é legal empurrar a cabeça da menina até o talo, chamar ela de suja e convidar cinco coleguinhas pra ejacular no rosto dela numa tarde de estudos. Aprendemos a fazer sexo de um jeito mais intuitivo e devemos usar isso. Sem fingimento, sem neurose, com ou sem amor, mas sempre com muito prazer.

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