Como eles conseguiram escapar do exército?

por Nina Lemos
Tpm #87

Os grandes mistérios do mundo masculino

Quase todos os caras que conhecemos não serviram o exército. Mas como eles conseguiram
isso se o serviço é obrigatório? Descobrimos um estilista que fingiu que trabalhava em um rancho,
um DJ que se passou por gay e um estudante sincero

 



“Primeiro tentei me alistar em Taboão da Serra, que na época era uma zona sem exército. Fui com meu primo Alex. Levamos as contas de luz da empregada para ‘provar’ que morávamos lá. Os caras descobriram o truque e saímos meio correndo. Um amigo tinha um acampamento de férias em Itapecerica da Serra. Conseguimos ‘provar’ que morávamos e trabalhávamos no rancho. Você vai publicar isso? Será que eles vão vir atrás de mim?” (MARCELO SOMMER, ESTILISTA)

 


“Passei em todas as provas e, na entrevista final, disse que era gay. O sargento me olhou com desprezo e, quando saiu o resultado, ele disse: ‘O exército não é para maricas’. Quase dei um beijo nele.” (DJ DOLORES, COMPOSITOR E PRODUTOR MUSICAL – NEM É GAY!)


“Passei por todas as provas e ia tirar medida para a farda. Já me sentia na caserna quando um oficial perguntou quem tinha feito vestibular. Levantei a mão e ele me dispensou. Mas em um ano teria que jurar bandeira. Não voltei. Aos 29 anos, fui tirar passaporte e... lá fui eu jurar bandeira.” (MARIO MENDES, DA REVISTA DASLU)


“Quando tinha 17 anos, estava no primeiro ano de direito na USP. Fui me alistar sem nenhuma estratégia para conseguir dispensa. Lembro de ver o grupo de centenas de meninos diminuir até restarem dois, eu e um amigo. Ambos tiramos A. Argumentei que era universitário. E o cabo respondeu: ‘Que bom, precisamos de gente culta no exército’. Cheguei a tirar medida para o capacete. Descobri então que uma portaria recomendava que o exército dispensasse universitários. Decidi escrever uma carta para o comandante. Escrevi, anexei um xerox da portaria e levei até a guarita do quartel. Quase tive uma síncope quando o telefone tocou e o comandante estava do outro lado. Tenente Rossi, nunca esquecerei. Ele me disse que tinha lido a carta e que eu seria dispensado. O que aprendi foi a força da iniciativa própria, de um texto que expresse o que realmente sentimos. O Brasil perdeu um soldado, mas ganhou um cara que nunca deixou de acreditar nessas coisas. Um abração ao tenente Rossi, hoje provavelmente general.” (PAULO LIMA, EDITOR DAS REVISTAS TRIP E TPM)

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