Diana Assennato
Natasha Madov

por Diana Assennato
Natasha Madov
Tpm #168

Pensando pelo lado lúdico, o jogo nos transforma em um tipo de cientistas urbanos

Se você mora no planeta Terra e tem acesso à internet, com certeza foi impactado de alguma forma pelo Pokémon GO no último mês. Seja na timeline dos seus amigos ou ao tropeçar em semizumbis andando pelas ruas apontando celulares para paredes, prédios abandonados ou cemitérios; o game está em todos os lugares. Praticantes ou não, poucas pessoas passaram imunes à curiosidade de jogar um jogo que coloca monstrinhos dentro da sua sala sem pedir licença.

Para os não iniciados, Pokémon GO é um aplicativo da Nintendo que posiciona um avatar seu em um mapa, baseado em sua geolocalização. Se você já viu o desenho antes nos idos de 1990-e-tevê-aberta, sabe mais ou menos como funciona: o seu objetivo é capturar o maior número de Pokémons possível dentro de cápsulas apropriadas, as Pokebolas. Na prática, o jogo é surpreendente desde o momento zero: baixe o app e espere um bichinho aparecer dentro do seu carro, no caminho para casa ou dentro de um banheiro.

Esta é uma das primeiras vezes em que um jogo consegue desafiar a dinâmica de grandes cidades e seus habitantes de forma tão intensa: ele exige que os jogadores caminhem cidade afora em um mapa “real” para encontrar recompensas virtuais, fazendo um uso inédito e democrático da realidade aumentada.

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Conversando com a nossa leitora e especialista geek Marina Ciavatta, descobrimos que Satoshi Sajiri, o designer de videogames japonês considerado o pai do Pokémon, cresceu com uma obsessão: capturar insetos em potes para estudar suas peculiaridades, uma arte também conhecida como entomologia. “O jogo incentiva pessoas de todas as idades a caçar, capturar, catalogar e estudar as criaturas que nos rodeiam. Essas são as premissas que movem todos os cientistas e grandes mentes do mundo. Se você já olhou pro céu e tentou contar as estrelas, sabe do que eu estou falando”, comenta Marina.

Aqui, três argumentos pra convencer quem ainda torce o nariz:

1) Encontro de gerações

Por conta de sua dinâmica peculiar, Pokémon GO incentiva a participacão individual, mas com muita troca entre jogadores. Onde estão os Pokémons mais raros? Quais são as melhores Pokestops? Para que serve tal ferramenta? Experimente pedir dicas para crianças da sua família ou observar como os seus pais aprendem imediatamente o gesto de jogar bolas na direção de criaturas fantásticas. A competição é gostosa e assunto inevitável na mesa do almoço de domingo.

2) A realidade aumentada é divertida

Pode parecer uma besteira se você nunca tentou, mas a emoção de encontrar um Pokémon escondido na fila do seu banco faz com que você se conecte com o jogo de uma outra forma. No começo é um misto de frio na barriga com vergonha de que outros te vejam. Depois de alguns acumulados a vergonha some: já vimos motoristas de Uber pararem para que seus passageiros não perdessem Pokémons raros dando sopa por aí.

3) Colecione a sua cidade

Deixe o jogo te apresentar uma nova cidade. As Pokestops, como são conhecidos os pontos de coleta de Pokebolas e outras ferramentas do jogo, costumam estar escondidas em monumentos, grafites ou cantos especiais da cidade. Temos certeza de que será um novo jeito de se conectar com o caos urbano.

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Créditos

Imagem principal: Sipa/Ap Photo/Glow Images

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