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A não entrevista do mês

Na edição de junho, não vamos entrevistar o bullying

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Créditos: Tereza Bettinardi


Por Nina Lemos TPM #110

em 13 de junho de 2011

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O bullying é uma coisa séria e horrível. OK. Ninguém está aqui para discordar. Mas, este mês, em vez de fazer uma reportagem sobre o tema, resolvemos não entrevistar a palavra americana. E também o ato que, originalmente, segundo a Wikipédia, é: um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, “tiranete” ou “valentão”) ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.

Todo mundo, em grande ou pequena escala, já foi alvo de bullying e isso é horrível. Pronto. Não estamos aqui querendo defender a prática, claro. Acontece que agora tudo virou bullying. Se você não for convidada para almoçar no trabalho, vai dizer que é bullying. Levou um pé na bunda, ah, foi bullying. E, o mais absurdo, alguns políticos dizem que estão sofrendo bullying da imprensa quando estão sendo criticados.

Hello! Você fala uma bobagem. As pessoas te criticam por isso. E você vai se fazer de vítima falando que está sendo alvo de bullying. Ah, tenha a santa paciência!

O bullying é o novo transtorno bipolar. A nova desculpa para tudo. “Ah, eu fiz isso porque eu sou bipolar.” “Ah, sou chato e bato nos outros porque fui alvo de bullying.” Claro, também tem gente que diz que é bipolar porque sofreu bullying.

E, como não podia deixar de ser, um monte de gente está ganhando dinheiro falando sobre bullying. Por isso, já existem todos os tipos de livros sobre o tema. Bullying: Mais Sério do Que Se Imagina, Fenômeno Bullying e por aí vai.

Então, não, não vamos entrevistar o bullying. Nem alguém que tenha sido alvo de bullying. Nem quem pratique bullying. E, podem ficar tranquilos, também não vamos perguntar para os nossos entrevistados se eles foram alvo de bullying na escola.

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