Tpm

por Wagner Brenner

Aparato da indústria da beleza ou tortura? Aparelho bizarro analisava ’defeitos’ do rosto

Essa gaiola de colocar na cabeça não é um instrumento de tortura. Pelo menos não tinha essa intenção. Trata-se de um Beauty Micrometer, um calibrador de maquiagem, usado em 1934. A verdadeira gaiola das loucas.

O dispositivo foi criado pelo polonês Maksymilian Faktorowicz, mas conhecido como Max Factor (eu não tinha a mínima ideia que Max Factor era uma pessoa, sempre achei que fosse só uma marca, algo como um “fator máximo” de beleza. O cara tem nome de vilão).

Enfim, a gaiola funcionava assim: viu que ela tem vários parafusos? O maquiador profissional apertava os parafusos até eles encostarem na pele da pessoa, e assim ia medindo o rosto inteiro, caçando imperfeições imperceptíveis a serem corrigidas (técnica parecida com a de Cesare Lombroso, aquela racista de uma figa).

Por exemplo, se a pessoa tivesse um narigão, o micrometro já recomendava um tipo de maquiagem específica para disfarçar. Se um lado do rosto fosse diferente do outro, mesma coisa. E assim por diante. O Beauty Micrometer era mais ou menos um scanner analógico.

O velho Max era o maluco preferido pelas estrelas de Hollywood. Quando o cinema foi evoluindo, a maquiagem foi ganhando importância, principalmente por causa dos closes. Max era o cara que fazia a massa corrida salvadora, capaz de resistir às luzes sem rachar etc. Foi ele, inclusive, que inventou o termo “make-up”, já que literalmente fazia rostos impecáveis sobre rostos comuns.

Ironicamente, o pessoal de CG (computer graphics), usa um método conceitualmente parecido com o da gaiola para digitalizar bonecos feitos em argila, só que ao contrário: quanto mais imperfeito, mais realismo (um fenômeno chamado “uncanny valley”).

O cinema filmado plastifica humanos. O cinema da computação humaniza plásticos.

O mundo da beleza tem um momento que o antecede, de bastidores, que é fascinante. Quase que uma penitência por alguns momentos de magia. Mas me engana que eu gosto!

Zappa estava certo: Beauty knows no Pain. Mesmo. (ouça em frente ao espelho) 

Beauty knows no pain
So what you cryin’ about
Girl
Beauty knows no pain
So what you cryin’ about
Girl
Beauty knows no
Beauty knows no
Beauty knows no

Even if yer plain
You could be tryin’ it out
Girl
Even if yer plain
You could be tryin’ it out
Girl
Beauty is no
Beauty is no
Beauty is no
Beauty is a bikini wax ‘n waitin’ for yer nails to dry
Beauty is colored pencil, scribbled all around yer eye
Beauty is a pair of shoes that makes you wanna die

Beauty is a
Beauty is a
Beauty is a
Lie

But you don’t care if it’s a lie
’cause you are such a beautiful guy
Your head is north, your feet is south
And you save the rest for charlie’s
Mouth

Your head is north
Your feet is south
And you save the rest for
Charlie’s enormous mouth…

(*) Wagner Brenner escreve para o Update or Die, onde este texto foi originalmente postado

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