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Uma no cravo

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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No momento em que a indústria do cigarro vive seus piores dias no Brasil e no mundo, uma nova fábrica acaba de se instalar em Cajamar, na Grande São Paulo. A Sampoerna Internacional, fabricante do cigarro de cravo A International, veio para conquistar espaço no mercado brasileiro – vide a recente campanha criada pela W/Brasil e veiculada em diversos meios de comunicação (foto à esq.) – e quer investir US$ 20 milhões até o final do ano.
Baseada num marketing que se apóia no slogan suave sabor do tabaco e do cravo, o anúncio é destinado, principalmente, ao público jovem que, atraído pela associação do cravo a imagens altamente eróticas, à paradisíaca ilha de Bali e a experiências novas, tende a achar que os cigarros de cravo são naturais e fazem menos mal. Pura ilusão. Estudos científicos como o do norte-americano Edmond La Voie, chefe da divisão de oncologia da Universidade de New Jersey, EUA, ilustram o perigo ainda maior que se esconde por trás dos perfumados cigarros de cravo. Segundo La Voie, a incidência de câncer é mais alta nos fumantes do cravo do que nos fumantes de tabaco tradicional.

Fumaça anestésica
Percebido pelos desavisados como uma alternativa light aos cigarros comuns, o cravo, escondido sob um falso suave sabor, é feito de tabaco puro (60%) e cravo (40%) daquele mesmo tipo usado como condimento. O cravo não gera uma combustão completa. Como tem tabaco puro, demora muito para queimar; assim, produz mais monóxido de carbono do que os cigarros comuns, explica Carlos Carvalho, professor livre-docente de pneumologia da Faculdade de Medicina da USP e supervisor de pneumologia do Hospital das Clínicas de SP.
Segundo a American Health Foundation, o tabaco usado no cravo apresenta mais alcatrão, nicotina e monóxido de carbono do que o dos cigarros comuns (o A International tem 15 mg de alcatrão, 1,1 mg de nicotina e 15 mg de monóxido de carbono, enquanto o Marlboro tem 13 mg de alcatrão, 1,1 mg de nicotina e 14 mg de monóxido de carbono). Além disso, quantias substanciais de eugenol, um anestésico local muito usado por dentistas, são encontradas em cravos-da-índia. Por causa da substância, baforadas maiores de fumaça de tabaco podem ser inspiradas, dando a sensação de um suave frescor enchendo os pulmões. Os usuários acabam fumando cigarros extremamente fortes, várias vezes ao dia, graças ao efeito enganoso do eugenol, diz Carlos Carvalho. Os constituintes do cravo também são tóxicos, e sua toxicidade aumenta 1 500 vezes se os componentes forem inalados em vez de ingeridos. Quem fuma cigarro de cravo inala aproximadamente 7 mg de eugenol por cigarro, completa La Voie.
Os danos causados ao pulmão incluem pneumonia, bronquite, edema pulmonar hemorrágico e não-hemorrágico, efusão pleural, insuficiência respiratória e infecção respiratória. Tão perigosos e maléficos quanto os cigarros de tabaco sem filtro, os cigarros de cravo devem ser levados mais a sério em vez de serem vistos como uma simples experiência.

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