por Cachaça 51

Um dedo de prosa ou
de crônica

apresentado por Cachaça 51

As melhores coisas levam tempo até chegar na excelência. Se é assim com uma cachaça, também é com um cronista e suas histórias. Xico Sá fala do seu processo criativo e de celebração.

Como escritor, divido-me em dois departamentos. No primeiro, da escrita por encomenda, estão as crônicas para jornais e revistas. É, digamos, a escrita que me sustenta, que mantém o meu salário. No outro, estão as viagens: escritas que não preciso publicar imediatamente. O texto pode virar conto, romance, poema ou roteiro de filme. Geralmente, durante o dia escrevo as obrigações, e na madrugada adentro faço os textos que não têm objetivo imediato. Quando estou com dificuldade de escrever as crônicas, vou para a rua, bebo um café, escuto o que o dono da banca de jornal tem a dizer e volto com assunto para escrever. É uma visita a uma esquina que resolve a vida do cronista. A escrita da madrugada é mais profunda. Ela tem muito de terapia. É um mergulho muito profundo nas coisas que eu vivi, porque escrevo muito de forma autobiográfica. Mexe mais comigo.

Muitas vezes, achei personagens para as crônicas andando de ônibus ou de táxi. Desci no meio da rua atrás de alguém que vi passando. Outro dia, estava em um ônibus em Copacabana, atravessando um túnel que vai dar em Ipanema, quando vi um cara só de sunga, com papagaio no ombro, como se fosse um pirata urbano. Desci duas paradas depois e saí alucinado buscando o sujeito, até encontrá-lo na colônia de pescadores de Copacabana. Ele me rendeu uma baita crônica. Contou a história do papagaio, da separação, chorou comigo. Sempre ando com um caderno de anotação para colocar observações. São figuras, o rosto de uma pessoa, frases. Às vezes, uma frase te salva ao chegar em casa para escrever uma crônica. Você fantasia um pouco e tem uma boa história. A vida de escritor como cronista é essa. Mas o meu processo criativo também tem um outro viés. Visitei muito meu pai no Sítio das Cobras, em Santana do Cariri, no pé da Serra do Araripe (na divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco). Dois dias por lá são inspiradores. Meu pai é esse cara da hora da conversa, ele não é de dar conselho, é de rir por uma besteira. Chego no rancho dele, tomamos uma boa cachaça, eu me sento numa rede e deixo o vento bater. A paciência também produz as melhores histórias.

As melhores histórias precisam de tempo para acontecer. Reserva 51 Carvalho Americano é assim. Envelhecida em barris de primeiro e único uso, com tiragem limitada. Celebre os 501 anos de história da cachaça com uma cachaça extra premium. Venda limitada apenas no dia 18 de maio pelo site reserva51.com.br

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