Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Há quase 10 anos publiquei aqui neste espaço, sob o título ‘Briga de irmãos’, uma coluna a respeito da saudável rivalidade entre os colegas Fabio Gouveia e Teco Padaratz no Circuito Mundial de Surfe. Apesar do longo hiato de tempo e de o surfe como esporte e competição ser bastante dinâmico, o assunto continua atual:
‘Fabio Gouveia surfa melhor que Teco Padaratz.’ ‘Teco Padaratz aparece mais que Fabio Gouveia.’ Até 1991 ainda havia quem levantasse dúvida quanto à primeira afirmação. Quanto à segunda, nunca houve.
Em 1992, apesar da vitória de Teco no WQS World Qualifyng Series), Fabio Gouveia (quinto colocado no ranking mundial) passou a ser apontado por todas as autoridades constituídas no universo do surfe mundial como membro vitalício dos Top Surfers de verdade – os melhores do mundo.
Por que Teco aparece mais? É simples: Padaratz é louro, tem dentes bem alinhados, cabelos estrategicamente despenteados e lida bem com as palavras. Fabinho não é feio, só é normal. É baixo como a maioria dos brasileiros, pele morena, não sai bem nos retratos e usa o escudo da simplicidade e da brejeirice.
Os dois são contemporâneos e começaram praticamente juntos. Dividiam apartamentos de hotéis, malas, alegrias e até o patrocinador. Consideravam-se quase irmãos. Inevitavelmente, isso mudou.
Mente quem diz que há rivalidade mais aguda, mas é fato que ambos disputam ferozmente cada milímetro em pódios, revistas, fãs e patrocinadores. Chegaram a se estranhar.
Mas o saldo é positivo e é provável que no futuro Padaratz e Gouveia tomem um bom cálice de Bordeaux em um café de Biarritz vendo as ondas de Grand Plage e lembrando dos tempos em que um fugia das fãs e o outro fazia palhaçada nos pódios da ASP.
À época eles desbravaram o Mundial, então dominado por anglo-saxões, com muita competência; abriram as portas para dezenas de brasileiros que seguiram suas remadas; venceram etapas importantes; perderam a vaga na elite mundial, e depois a recuperaram. E hoje são os brasileiros há mais tempo no Tour.
Nos últimos dias os dois foram destaque na perna francesa do WQS (a divisão de acesso do Mundial). Fabinho venceu a primeira das quatro provas de seis estrelas (nível máximo de pontos e prêmios) programadas para a Europa, e repetiu a rotina de ser carregado nos ombros dos colegas em Anglet.
Na semana seguinte seu ‘irmão’ Teco quebrou um longo jejum de seis anos e venceu em Lacanau, derrotando três australianos na grande final. Uma vitória que coroa sua 15ª temporada e o aproxima da classificação para mais uma.
E esta semana, por muito pouco, não fechamos a perna francesa com três vitórias. Novamente Fabinho dominou a final até os últimos minutos, mas acabou superado por Richard Lovett e terminou em segundo em Hossegor.
Nessa década e meia de atividade no Tour eles faturaram, só em prêmios, cerca de meio milhão de dólares. A amizade amadureceu como vinho das melhores safras e é provável que o cálice de Bordeaux que previ tenha sido devida e merecidamente desfrutado pelos dois, só que, em vez de lembrar do passado, pensando no vinho Porto para o brinde após a etapa de Portugal esta semana.
Corridas de aventura
Curta (50 km) porém dura foi a primeira etapa do EMA Series disputada no domingo entre Santos/Guarujá/São Vicente. A equipe Oskalunga, de Brasília, venceu a prova em 6h15.
*
A terceira e decisiva etapa do Reebok Swatch Ecomotion acontece em angra dos Reis, RJ, no próximo sábado e domingo. Uma Mitsubishi L200 espera a equipe vencedora do Circuito.
Skate
Rodrigo Menezes venceu a segunda etapa (vertical) do Circuito Brasileiro disputada em Manaus, AM. Bob Burnquist ficou em segundo. A cidade de Lauro de Freitas, BA, sedia neste fim de semana a terceira etapa (street).
Brazilian Rocket
Com esse apelido, Adriano de Souza, o Mineirinho, 15, foi um dos destaques no East Coast Surfing Championship disputado nos EUA que reuniu cerca de 700 atletas profissionais e amadores.
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