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Tv do futuro

em 3 de agosto de 2012

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A velha TV da sala, com sua centena de canais, agigantou-se e está sendo transmitida para táxis em movimento, celulares no metrô e, num futuro próximo, em HD (e quem sabe em 3D) para qualquer tela que exista. Acabou a televisão que conhecíamos até há pouco. Com essas e outras mudanças de tecnologia, mudam os modos de produção e os modos de distribuição, e assim mudarão os conteúdos desse planeta chamado audiovisual.

No futuro, tudo será tela. No Natal de 2013, o grande presente popular será um tablet, que ficará ligado nas redes sociais para comentarmos, com nossos amigos da web, as canções do Roberto na TV. Ou será que a própria tela da sala irá se dividir, metade TV e metade internet, num show de interatividade?

Os programas ao vivo serão o coração da TV do futuro, como diz o Boni? E como ficará a regulamentação de faixa etária, se as telas tendem para a vida sem fronteiras? O que é um “conteúdo impróprio” em tempos nos quais se nasce pelo Youtube? Existirá programação regional de TV? Quem contará o que acontece no meu bairro? Como se competirá com a “qualidade do mundo”?

E as histórias encantadas em novelas, filmes e minisséries? Devem continuar, claro, afinal uma boa história é o começo e o fim de tudo. Mas as obras de ficção deverão ser fortes “on demand”. E aí como fica a publicidade de trinta segundos, que é o que ainda sustenta a TV? Vai virar “product placement”? “Branded content”? O comércio nas telas tende para o merchandising? 

Se estaremos em interatividade e conteúdo transmídia, como ficarão as narrativas? E, falando em futebol, a Copa de 2018 vai ser transmitida pela Apple? Faz sentido, certo?

Serão muitas fontes de informação e entretenimento. Quem assistirá a tanta notícia? E como ficarão os direitos autorais de quem cria, se temos tudo tão fácil para download gratuito? Novas formas de encriptar o conteúdo surgirão? Ou a invenção pirata será sempre mais rápida? O mercado será o dono do conteúdo? As marcas terão canais próprios com conteúdos significativos? O que é significativo? O desejo de mercado pode se unir ao objetivo social? Quem cobrará isso? O público, o Estado? Como farão isso? E a educação via TV?

Hoje, a pergunta que sempre me ocorre é: por que não vemos a TV correr riscos? Será que as agências de publicidade, aliadas às emissoras de TV tradicionais, conseguirão atrasar a revolução audiovisual por muito mais tempo? As empresas de telefonia virão destoar do coro dos contentes produzindo conteúdo interativo em escala industrial? A TV continuará sendo a detentora da maior fatia de publicidade por quanto tempo? A internet já está em segundo lugar nesse ranking, crescendo. Como ficará a medição de audiência de um programa que pode ser exibido em tantas telas em tempos diferentes? É isso o que o mercado e a torcida do Flamengo querem saber. Rápido!

E o poder? Como ficará a política e a representatividade cidadã com tantas telas? Revelar-se-á de quem são as mãos sujas da corrupção? A punição online é iminente? Enfim, onde está a inovação? O que virá depois do Youtube, do Twitter e do Facebook? Estamos como dinossauros estupefatos diante da certeza da queda de um asteroide em nosso planeta de audiovisual. Caraca! Onde estamos e para onde estamos indo? Está claro que, sem foco no desenvolvimento social, teremos só tecnologia e mercado. Não haverá sonho – seja lá o que isso for. Mas, sem sonho, para que servirá tudo isso, então?

Ah! Eu me casei há um mês e pouco. Uma pequena celebração em família. Não foi transmitida para lugar nenhum.

 

Tadeu Jungle, 54, é diretor de cinema e TV, artista multimeios e sócio do Grupo Ink, produtor de audiovisual. Colaboração de João Ramirez, 32, CEO da produtora Colmeia.

 

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