Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Preocupado com a falta de interesse no soul surf, o shaper Gregório Motta cria pranchas orgânicas feitas à mão ? embora não deixe de lado a fabricação de pranchas de ataque
por Luciano Ribeiro foto Marcelo Naddeo
A prancha híbrida, de Gregório Motta: o design inspirado nos modelos dos anos 70 facilita a vida dos soul surfers. Em vez de aéreos e manobras inovadoras, ela proporciona remada e flutuação para quem não pode se dar ao luxo de pegar onda diariamente
Embora não deixe de lado a fabricação de pranchas de competição, seu barato é outro. Gosto de fazer pranchas para quem pensa em aproveitar a onda do início ao fim, sem se preocupar com manobras inovadoras, em dar voadores, diz Gregório, que demora duas horas para shapear cada prancha. Máquinas costumam fazer o mesmo trabalho em minutos. Mas ele não cogita utilizá-las. O que quer mesmo é criar pranchas or-gânicas, feitas à mão. Qualquer garoto hoje se sente na obrigação de ser radical. Mas será que todo mundo precisa disso? Sinto falta daquela sensação pura, de surfar só por surfar, diz Gregório, que se mantém fiel à linhagem de shapers encabeçada pelo australiano Nat Young, que já na década de 70 propunha uma filosofia de o mínimo de competição e o máximo de prazer.
Prancha de madeira
O shaper não é um saudosista perdido no tempo. E não está sozinho. A edição de fevereiro da Surfer, bíblia americana do esporte, traz uma reportagem que questiona justamente se essa tendência retrô é só modinha ou se é sinal de uma revolução no design das pranchas. Gregório não precisou ler a Surfer para definir seu estilo. Ele nasceu na convivência com o pai, o soul surfer e arquiteto Carlos Motta, outro especialista em remar contra a maré. E foi turbinado no trabalho com grandes shapers brasileiros e estrangeiros. Antes de abrir a Aerofish, Gregório passou três anos em Santa Cruz, na Califórnia, onde foi pupilo do mago Steve Colleta.
É no atelier, que divide com o pai, que o shaper gosta de conversar com os clientes para decifrar que tipo de prancha é a ideal para o sujeito. Não é só o cara que compete que precisa ter uma prancha sob medida, feita pra ele, diz. Curioso, Gregório agora anda pensando em fazer pranchas de… madeira! Tudo começou em janeiro, quando passou um mês no Havaí. Além de pegar altas ondas, trabalhou com o lendário Dick Bre-wer. Lá, aprendeu a fazer longboards de madeira. A balsa, matéria-prima, vem do Equador. Para que a prancha flutue como as tradicionais, Brewer usa uma broca para perfurar a madeira e fazer o ar entrar. Gregório estuda a possibilidade de fazer essas pranchas por aqui. São para colecionadores, gente que dá valor ao simbolismo do artesão, já que não dá para colocá-las na máquina e, por isso, terminam custando caro. Ele calcula que uma prancha de madeira saia por uns US$ 1 000. Não é para qualquer um. Mas relíquia que é relíquia quase sempre tem peso de ouro.
Vá lá: R. Aspicuelta, 121-B, Vila Madalena (11) 3032 9545
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