Sin perder la ternura
Eduardo Suplicy olha nos olhos das pessoas. Não se envergonha ao demonstrar seus sentimentos. Quem disse que todos os políticos são iguais?
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Há dez dias, estive entrevistando o senador e pré-candidato à presidência da República Eduardo Suplicy. Duas horas depois, deixei sua casa na Rua Grécia com a firme sensação de que nem tudo está perdido na cena política brasileira. Reproduzo abaixo algumas das minhas impressões e um pequeno trecho da entrevista que estará na revista Tpm, que sai no fim desta semana:
Eduardo está em boa forma. É bonito, está solteiro, teve um casamento que durou 36 anos, gerou três filhos e espera o primeiro neto. É o senador mais querido do País e, agora, prepara-se para disputar a presidência do Brasil.
Tem, antes, de vencer Lula nas prévias do Partido dos Trabalhadores, que acontecem em março do ano que vem. Está confiante.
Mas Suplicy é muito mais que isso. É um homem. Uma pessoa de 60 anos que conseguiu manter-se ereto, digno e inquestionavelmente íntegro, mesmo passando a maior parte de sua vida num ambiente que não é exatamente conhecido pela limpeza, a política. Mais ainda, Eduardo olha nos olhos das pessoas. Não se envergonha ao demonstrar seus sentimentos. Parece ter entendido que a imperfeição é a verdadeira condição humana. Não tenta, por isso, escondê-la. Ao contrário. Convive com ela e a transforma em seu principal ativo.
Sua casa, onde aconteceu a entrevista que você lê a seguir, diz muito sobre o dono. Tem cara de casa vivida. Os livros, as fotografias, as plantas do jardim, a cor dos tapetes. Nenhum decorador passou por ali. O tempo e as emoções das cinco existências que lá conviveram, sem contar todos os outros que estiveram por perto, se encarregaram de formar as camadas de vida que compõem o ambiente. O imóvel está à venda. Talvez uma demonstração clara de que um ciclo está se encerrando. E outro começando. A maneira como se expressa, olhando de verdade, refletindo sobre o que dirá em vez de disparar toscos rascunhos verbais movidos a ansiedade, é interpretada pelos tolos como defeito – como se o mundo devesse ser habitado por eloqüentes locutores de FM.
Enquanto Paulo Maluf negava com toda a eloqüência as várias acusações que pesam sobre ele em depoimentos à polícia, Eduardo confessava publicamente sua dor pela perda da mulher que amava. Quem disse que todos os políticos são iguais?
Dor
Tpm – Uma coisa que fez muita gente se interessar por você nos últimos tempos foi essa demonstração de sensibilidade e de falibilidade que você deu durante o episódio da sua separação. Por quê?
Eduardo Suplicy – Minha separação realmente foi uma situação muito difícil, porque precisei refletir em profundidade sobre as razões que me levaram a perder uma pessoa que era a mais preciosa na minha vida e da qual nunca tinha planejado me separar. Se isso ocorreu, foi em decorrência de algumas falhas minhas. Quando a Marta me transmitiu que queria se separar, eu conversei com meus filhos. Fiquei pensando, afinal, o que eu poderia fazer.
Tpm – A que conclusão você chegou?
Suplicy – Fiquei pensando que, talvez, eu pudesse ser um pouco diferente. Podia aprender a fazer coisas que eu não sabia. Mas os três filhos então disseram: ‘Não, pai. Seja do jeito que você é, nós gostamos assim…’ (Fica muito emocionado, a voz embargada e os olhos marejados. Interrompe por alguns segundos a entrevista).
Tpm – O que você pensou em fazer de diferente?
Suplicy – Quem sabe eu vou aprender a tocar piano, quem sabe eu vou… Dei diversos exemplos e eles falaram ‘não, não, não é isso que vai adiantar’. Então procurei compreender. Meu desejo é que a Marta seja muito feliz, porque gosto dela. Então, embora seja difícil a separação, achei que a melhor forma era simplesmente respeitar o caminho dela e pronto…
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