Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Desde que conquistou o título mundial amador, em 1988, em Porto Rico, o surfista paraibano Fabio Gouveia, 35, se tornou um colecionador de vitórias. Foi o brasileiro que conquistou os melhores resultados até hoje no circuito mundial e é, pelo seu estilo fluido e harmonioso e também pela sua simpatia, o mais bem reconhecido internacionalmente.
Nos últimos anos, no entanto, ele andava sem muitos motivos para comemorações, ao menos no esporte. Agora, a sorte parece ter virado. Sua história, desde a época que mainha e painho se preocupavam quando a cria se aventurava nas ondas da praia da Pipa, no vizinho Estado do Rio Grande do Norte, até as incríveis ondas surfadas em Teahupoo, Taiti, está no documentário Fabio Fabuloso, exibido no Festival do Rio e ganhador do prêmio Júri Popular.
O filme entra em cartaz no circuito comercial, estréia em São Paulo no início do mês, e é um merecido reconhecimento para este grande atleta. Se isso já seria motivo suficiente para festejar, o último fim de semana lhe reservou uma razão extra.
Há dois anos sem vencer um campeonato ? sua última vitória havia sido no WQS de Anglet, França ? Fabinho faturou o Rip Curl Guarujá Pro, terceira etapa (e ainda não se sabe se a última, a Abrasp negocia a realização de mais uma em dezembro) do Brasil Tour, circuito classificatório para o Super Surf, a primeira divisão nacional.
Ondas grandes no início e pequenas no final do campeonato exigiram versatilidade dos atletas. Com o vice-líder do ranking, Odirley Coutinho, caindo logo no início da prova, as atenções se voltaram para Adriano ‘Mineirinho’ de Souza, 17, e Fabinho ? respectivamente primeiro e terceiro colocados no circuito.
Ídolos de gerações distintas, a possibilidade de um confronto entre eles levantou a expectativa do público na praia do Tombo. E vingou.
Mineirinho está em grande fase. Desde que venceu o Mundial Pro Júnior da ASP no ano passado, quando ainda tinha 16 anos, e se tornou o mais jovem campeão na categoria, ele disputou 14 campeonatos, entre Austrália, Brasil, Europa e EUA, vencendo oito e chegando a 11 finais. Na primeira etapa do Brasil Tour, disputada em Ubatuba, ele venceu Fabinho. À exceção das ondas, tudo contribuía para elevar a temperatura da final.
Dunga Neto e Beto Fernandez, terceiro e quarto respectivamente, ficaram mesmo de coadjuvantes na bateria decisiva. O duelo anunciado desde antes do início do campeonato estava na água.
Mineirinho, surfista do Guarujá, foi mais arrojado nas manobras e liderou a maior parte da bateria, mas, a poucos minutos do gongo, Fabinho achou a onda da virada e da quebra do jejum de dois anos.
O campeonato teve o desfecho esperado, mas ficaria muito melhor se a organização do calendário não promovesse esse anticlímax da incerteza da definição do circuito.
Mineirinho vai ter que aguardar mais alguns dias enquanto a associação negocia patrocínio para mais uma etapa para saber se continua ‘apenas’ líder do ranking de acesso ou campeão dele.
NOTAS
SUPERSURF
Começou ontem em Saquarema, RJ, a etapa decisiva do Brasileiro profissional. Silvana Lima e Suelen Naraisa iniciam hoje a disputa pelo título. No masculino, Odirley Coutinho, Renato Galvão e Léo Neves, os únicos com chances, estréiam amanhã.
CORRIDA DE AVENTURA
Começa na segunda-feira e vai até o dia 23 a Ecomotion/Pro. A prova válida pelo Mundial será disputada na Costa do Dendê, Bahia, e as equipes de quatro atletas terão sete dias para completar os 480 quilômetros do percurso.
KITESURFE
Guilherme Brandão e Carol Freitas venceram a terceira etapa do Oi Kitesurf disputada na Bahia e garantiram por antecipação mais um título brasileiro, o segundo dele e o terceiro dela.
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