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Rock and roll is dead?

Confira a cobertura fashion do Campari Rock, festival em SP com cara de Woodstock

Rock and roll is dead?

em 11 de abril de 2006

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Por Regina Trama   fotos Rodrigo Sacramento

 

Se fosse fim da década de 90, provavelmente a pista do Campari Rock, festival realizado no último fim de semana na cidade de Atibaia, interior de São Paulo, seria outra. Pouco restava daquelas camisetas pretas de bandas que eram o uniforme obrigatório dos cabeludos que curtiam Faith no More ou Pearl Jam no pós-grunge.

 

Mas o rock definitivamente está na moda. Casas noturnas que enaltecem o ritmo pipocam nas principais capitais brasileiras. Nos festivais não têm sido diferente. Cada estilo estava bem representado e cada tribo tinha seu porta-voz em meio a centenas de jovens.

 

O local escolhido remetia aos anos 70, muito mato, paz e amor e alguns cabelos sem cortar. Boa parte do público parecia vinda de Londres! Cabelos desconstruídos a la Strokes e muitos terninhos justos. Apesar de não ter nenhum discípulo de Bob, sim, havia muito dreadlock no meio do povo também. Festival de rock 2006, realmente algo globalizado, para usar a palavra da… moda.

 

A primeira banda que realmente empolgou foram os rapazes do Ludovic. O vocalista é ultraperformer. Muita gente não sabia quem eram: “Pra quem não conhece somos o Ludovic (com ênfase no i)”, bradou o vocalista da banda, Jair, e completou: “Alguém aí na pista disse que banda brasileira não presta. Tenham um pouco de paciência que falta pouco”. Mas presta sim! Que o diga a nova sensação do “rock de terninho”, a banda Cachorro Grande (foto). Agora sim, todo mundo sabia a letra. O show foi redondo, banda competente, hits na medida certa. O público se empolgou e isso basta.

 

Os intervalos foram quase melhores que os shows. Espaço razoável na pista. Tudo muito agradável. Muita moda. Era o momento perfeito para apreciar as produções. A graça dos rapazes ficava por conta das mil e uma maneiras de usar um cabelo despenteado. Entre as meninas a escolhida era a saia curta com coturnos pretos, às vezes uma meia arrastão. Mesmo assim chamava a atenção a quantidade de looks anos 60. Cabelos curtos, lisinhos e muita estampa de bolinha. A ordem do dia era aparecer, ser o mais diferente. Mas a ânsia pelo moderno e inusitado era tanta que todos pareciam iguais dentro de sua radical produção. Chamaria a atenção quem resolvesse ir apenas com um jeans e uma camiseta, isso sim seria verdadeiramente rock and roll.

 

Apesar do ar Woodstock, ninguém parecia ter acampado. Dos poucos que se alojaram em Atibaia, a sua maioria se hospedou em hotéis ou pousadas. O público ocupou o gramado timidamente. Nas primeiras apresentações era possível assistir ao espetáculo deitado no conforto de uma canga. Acessório indispensável da maioria dos grupinhos. Aos poucos o pasto foi ficando pequeno e nem a chuva com o vento frio espantaram os que ficaram para assistir à principal banda da noite: o Supergrass.

 

Mas, antes do prato principal, alguns aperitivos. Os veteranos do Ira! (foto) mostraram que o tempo só não fez bem à barriguinha do vocalista Nasi. Ainda houve tempo para o “mangue rock” da Nação Zumbi e para a banda-referência do rock alternativo, o Mission of Burma, que apesar de tão importantes não tiveram carisma ou hits suficientes para empolgar o público.

 

Já passava da meia noite quando os verdadeiros ingleses do pedaço subiram ao palco para entoar um mix de acústico e rock fazendo jus ao título de atração principal do festival.

 

Nesse momento pelo menos uma certeza sobrou do caldeirão de estilos e do liquidificador de músicas: assim como Elvis, que circula escondido por aí, o rock ainda não morreu.

 

Clique na foto que abre a matéria para conferir a galeria de fotos do evento

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