Prazer e gosto
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
As pessoas consideram tudo muito difícil e complicado em termos sexuais. E não há nada mais simples e nem menos complicado. Nós nos acasalamos como e com quem queremos. Foi-se o tempo em que éramos obrigados. Hoje temos liberdade. Não sabemos ao certo para que, mas enfim, livres. Claro que sabemos que não haverá nada maior que o perdão, e que teremos que nos curvar diante da vontade do tempo e de nossas conseqüências.
Não somos, é obvio, iguais. Mas extremamente semelhantes. Sofremos e choramos igualmente e muitas vezes pelos mesmos motivos. Ficamos felizes e agora sim, por motivos diferenciados e particulares. Embora pareçamos estar vivendo igualdades. Todo ferimento dói a pele, mas nem toda criança nos causa a mesma alegria.
Tudo o que nos faz doer, nos ensina. Nem tudo o que nos faz felizes traz em si aprendizado. O sofrimento torna cada segundo valoroso qual horas, dias, quiçá meses. Tudo o que magoa e faz triste, demora. E, portanto, tem tempo de nos ensinar. A dor é o momento melhor vivido, o mais aproveitado, embora profundamente rejeitado. A alegria, sempre fugaz, encurta, dentro de nosso tempo, minutos em horas e horas em dias. Quando percebemos, já passou e muito pouco foi aproveitado. Alegria é momento que foge na lembrança. Dor é sofrimento pungente na memória.
Mas, para gozar, somos todos iguais. Claro que quanto mais se sabe, melhor se tem prazer. Mas independe de cultura, dinheiro ou posição social. Tudo é vontade e tesão. Aquele estremecer, aquela força que breve se expande e nos dilata, qual sol se pondo em vermelhos âmbares, é único para cada um e igual para todos. Sem dúvida que existem orgasmos e orgasmos. Existe até quem transa sem sentir nada. Mas aqui falamos dos sadios. Gozar é fundamental, parodiando Vinícius.
Num barraco da favela, os habitantes, às vezes, que não sabem como alimentarão seus filhos quando amanhecer o dia. Mas no silêncio escuro da noite, colhem do corpo a alma de seus prazeres. O mesmo se dá na mansão, nos apartamentos e nos motéis mais sofisticados. O espaço e o dinheiro não contam. O que vale é o carinho que leva ao gozo mais profundo. São águas que correm dilatadas ao murmúrio do vento. Tudo torna-se absolutamente claro, exatamente como parece ser. O prazer apenas existe em si, sem mistérios para longos questionamentos.
O céu como teto, o universo como casa, o prazer como se tem e o gozo como se quer. E não importa como. De sexos diferentes, iguais ou inexplicáveis. É tão bom o tesão e o prazer, por que especificar que determinados encontros sexuais podem e outros não? É quase um insulto, uma provocação à humanidade de cada um. Se existe algo que não aceita julgamentos de valores é o prazer sexual. Gozar é bom demais para que possa ser dimensionado pelo vão juízo humano.
Parceiros, parceiras. Formas e as posições as mais variadas. O corpo é a fonte do gozo, e a alma do prazer. As caretas na hora do orgasmo, o esganar, a dor e a delícia do gozo a nos sacudir, porque estamos sempre em processo e nunca terminamos de enlouquecer.
O prazer é quase como pão, está para todas a mesas, o trivial. Nos igualamos quando rezamos, mas nos aproximamos quando gozamos. Ao orar, povoamos os céus de pedidos. Na maioria, indevidos, já que quase nada fizemos para merecê-los. Mas ao gozar, o homem se dá, se entrega ao prazer com alguém, é quase nada e, ao final, é quase tudo.
Eu saúdo o prazer de cada um. E desejo, do fundo de meu coração, que nunca falte na minha cama e na cama de qualquer que seja o ser existente.
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