em 20 de outubro de 2009
BALADA DO PRISIONEIRO
Gemem os ferrolhos nas portas de ferro
Escorregam as correntes pelas grades
Chaves enormes deslocam as travas das fechaduras
Surdos cadeados transpassam elos de ferro e retinem secos.
Assim emparedado entre gritos estrangulados,
Alma decomposta em pequenos pedaços de lágrimas contidas
Lá esta o prisioneiro.
Seus sonhos foram esmagados um a um
Cheio de nada e seu hoje tão pequeno para tantos amanhãs.
Mas não se iluda: ele não chora arrependimento
Mórbido, errante, como plantas de plástico em vasos secos
Um desses filhos da puta que teimam em sobreviver
E que só quer ser deixado em paz
Porque aprendeu a se bastar
Nesse inferno criado por homens para homens.
Seu medo o alimenta
Seus olhos assustados o enchem de prazer
Ele não o teme, mesmo com seus malditos robocops
E tantas cicatrizes em seu corpo violado.
Para ele sofrer é poesia
E morrer é relampejar, extinguir a rotina das dores
E em branco lavar tudo de luzes.
Santo, lúcifer, diabo, alguém perfeitamente excluído,
Desses que fala a bíblia, assim meio sem sentido
Que sonha rir sem que alguém chore.
Mas não se engane com a umidade dos olhos;
Ele é touro que carrega a fúria de mil infernos
Com seus chifres e já sem esperanças de alcançar
O alvo que o comprime.
Luiz Mendes
19/10/2009.
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