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poesia existencial

Gemem os ferrolhos nas portas de ferro/Escorregam as correntes pelas grades

Por Luiz Alberto Mendes

em 20 de outubro de 2009

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BALADA  DO  PRISIONEIRO

 

 

Gemem os ferrolhos nas portas de ferro

Escorregam as correntes pelas grades

Chaves enormes deslocam as travas das fechaduras

Surdos cadeados transpassam elos de ferro e retinem secos.

Assim emparedado entre gritos estrangulados,

Alma decomposta em pequenos pedaços de lágrimas contidas

Lá esta o prisioneiro.

Seus sonhos foram esmagados um a um

Cheio de nada e seu hoje tão pequeno para tantos amanhãs.

Mas não se iluda: ele não chora arrependimento

Mórbido, errante, como plantas de plástico em vasos secos

Um desses filhos da puta que teimam em sobreviver

E que só quer ser deixado em paz

Porque aprendeu a se bastar

Nesse inferno criado por homens para homens.

Seu medo o alimenta

Seus olhos assustados o enchem de prazer

Ele não o teme, mesmo com seus malditos robocops

E tantas cicatrizes em seu corpo violado.

Para ele sofrer é poesia

E morrer é relampejar, extinguir a rotina das dores

E em branco lavar tudo de luzes.

Santo, lúcifer, diabo, alguém perfeitamente excluído,

Desses que fala a bíblia, assim meio sem sentido

Que sonha rir sem que alguém chore.

Mas não se engane com a umidade dos olhos;

Ele é touro que carrega a fúria de mil infernos

Com seus chifres e já sem esperanças de alcançar

O alvo que o comprime.   

 

Luiz Mendes

19/10/2009.

 

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