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PIRULITO VOADOR

Dezenas de pipas coloriam o céu na areia conhecida como Pepê. Presas por linhas a um conjunto atleta/prancha, deslizavam em alta velocidade sobre o mar e no ar.

em 21 de setembro de 2005

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Na semana passada, quem saía do túnel São Conrado em direção à Barra no Rio, percebia algo diferente na paisagem. Dezenas de pipas coloriam o céu na areia conhecida como Pepê. Presas por linhas a um conjunto atleta/prancha, deslizavam em alta velocidade sobre o mar e no ar.
O cenário era promovido pela realização da nova e decisiva etapa do Circuito Mundial de Kiteboard, e chamava a atenção a distância. Alguns dos melhores atletas do esporte estiveram presentes na prova que foi considerada a melhor dessa temporada inaugural.
O Rio entrou no calendário de última hora, e surpreendeu. Dos nove dias de competição, em sete as condições estiveram ideais. Com ventos entre 20 e 25 nós – o mínimo exigido para a competição é de oito – sol e público selecionado, a prova já tem data garantida para 2001.
O esporte ainda é pouco praticado por aqui, mas vem ganhando força e atraindo praticantes de outras modalidades de prancha. Em relação ao wakeboard oferece menos impacto e proporciona muito mais tempo na água. Para os surfistas é uma ótima opção para os dias sem onda. Foi assim que Maurício Abreu começou, no Havaí, para onde se mudou por causa do surfe. Hoje, é o melhor brasileiro no esporte e parou de surfar.
Já o windsurfe pode estar passando pelo que o esqui-na-neve passou quando surgiu o snowboard a concorrência de um esporte de características aparentemente semelhantes, mas muito mais moderno e dinâmico.
Durante o Rio Kiteboard Pro o aspecto híbrido do esporte ficou bem evidente. A partir das manobras, a origem do atleta era delatada. Os wakeboarders nas manobras aéreas, os surfistas usando mais as ondas, e suas combinações que resultam em posições como a ‘dead man’, na qual o atleta fica como que crucificado, de cabeça para baixo no ar.
O pouco tempo de existência e a influência de outros esportes também aparece nos equipamentos. Mais de 20 diferentes modelos de pranchas, barras de comando, fixações e botas foram utilizados durante a competição. Os velames também variam bastante, aí, mais em função da intensidade do vento. Para ventos fortes, velames com área de três metros quadrados, crescendo até 16 na medida que o vento diminui.
O brinquedo tem também seu lado sinistro. Os vôos muitas vezes fogem ao controle e não são raros os casos de pousos fora d’água. Outro perigo, principalmente para quem está por perto, são as linhas, com cerca de 40 metros, que se transformam em afiadas lâminas quando retesadas.
Apesar de o Havaí abrigar hoje a maior concentração de praticantes, o esporte surgiu há cerca de cinco anos na França, e foram os franceses que tomaram a dianteira na organização do circuito e acabaram ficando com o título. Christopher Tasti é o primeiro campeão mundial da modalidade. A conquista veio em boa hora já que ele pretende se aposentar das competições este ano. Pioneiro, mais velho, ele avalia que o esporte está tomando um rumo que ele já não vai acompanhar. Seus planos são mudar para o Brasil e abrir uma escola de kite em Búzios.

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