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PIPE MASTERS

Surfar um bom tubo ali é pretensão de 11 entre 10 surfistas. Ter uma foto para eternizar o fato é sonho mesmo entre os mais desencanados.

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Noite escura, sem lua, e a praia já começa a ficar movimentada. Uma dúzia, talvez mais, de surfistas caminha e se acomoda na areia aguardando os primeiros sinais de luz para entrar na água. Quando finalmente mais do que espumas e sombras podem ser divisados, o grupo, que continua crescendo, rema para atrás da arrebentação.
Para surpresa dos primeiros a chegar no fundo, três surfistas, vindos não se sabe de onde, já haviam sido os primeiros e se posicionavam no line up para surfar as primeiras ondas do dia.
Quando a luz efetivamente podia assim ser chamada, uma multidão congestionava a área ideal para o drop. Os não havaianos, os menos conhecidos e os menos preparados, que até essa altura não tivessem tido a felicidade de ‘achar’ uma onda, podiam se retirar, ou, no máximo, se contentar em pegar uma onda fechando ou com dois ou três à frente, rabeando.
Assim é Pipeline nos dias clássicos. Uma das ondas mais cobiçadas, perigosas e cultuadas do planeta. Surfar um bom tubo ali é pretensão de 11 entre 10 surfistas. Ter uma foto para eternizar o fato é sonho mesmo entre os mais desencanados.
O que dirá então ser consagrado numa competição como o Pipe Masters, que tem em sua galeria de campeões nomes como Gerry Lopez, Mark Richards, Tom Carroll, Kelly Slater?
No último domingo Rob Machado, 27, inseriu seu nome nessa seleta lista. Em ondas de três a quatro metros, o norte-americano venceu seu terceiro campeonato na temporada (um a mais que o campeão Sunny Garcia), resultado que o levou ao terceiro posto no ranking, fechando a bateria final contra Michael Lowe, e o ano do WCT, com uma incontestável nota dez.
Mas não foi só Machado a se consagrar na 30ª edição do Pipe Masters. O brasileiro Renan Rocha também soube aproveitar as condições e os tubos e por muito pouco não chegou à final. Depois de eliminar o conterrâneo Guilherme Herdy (5º) nas quartas, fazer também sua nota dez, Renan foi barrado pelo campeão nos últimos segundos da semi-final. O resultado levou o brasileiro a fechar a temporada em 19º entre os melhores do mundo.
Também empolgou a bateria de exibição dos pipemasters da década de 80. Tom Carroll vencedor em 87/90/91 deixou o público de pé com seus característicos drops atrasados e tubos profundos, enquanto Michael Ho, campeão em 82, no mais puro estilo havaiano, pegou um longo tubo com a base trocada.
Carroll, aos 38 anos, arriscando seu pescoço em drops insanos por puro prazer, Machado – dizendo que não poderia ter sonhado com um dia melhor, Rocha – se confortando da derrota com o argumento de que só ter a oportunidade de surfar Pipeline sozinho já é prêmio suficiente. Apesar de tantas manifestações que evidenciam a importância do Pipe Masters no Tour, a prova não está confirmada no WCT 2001.

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