Dez Reportagens que Abalaram a Ditadura, vários autores (Record, 322 págs., R$ 44,90)
Mesmo quando os tempos cheiram muito mal, felizmente sempre alguém mantém as narinas abertas. Um bom punhado de repórteres estavam entre os que preservaram o faro de perdigueiro nos fedorentos anos de ditadura militar brasileira. Uma homenagem a alguns desses cães de caça, que não botaram o rabo entre as pernas em tempos de censura, chega agora às livrarias, no volume Dez Reportagens que Abalaram a Ditadura. Organizado pelo repórter Fernando Molica, o livro congrega relatos produzidos entre 1964, ano do golpe, e 1982, quando o presidente Figueiredo (e o regime dos generais) já caía do cavalo. Por meio de relatos de jornalistas do porte de Ricardo Kotscho, Mylton Severiano e Raimundo Rodrigues Pereira, acompanhamos tristes polaróides do passado recente: a morte de Vladimir Herzog, o caso Riocentro, torturas que iam de Pernambuco a Petrópolis. Entre os destaques do livro está “Eles Estão com Fome”, um relato do recém-falecido Eurico Andrade publicado na revista Realidade, que lhe valeu o Prêmio Esso de Reportagem de 1968. No texto o jornalista pernambucano disseca a fome que açoitava o Nordeste. Triste. Tempo vem, tempo vai e em alguns pontos o cheiro ruim não passa. Nada de Fome Zero.
(Filipe Luna)
*Acima, Eurico Andrade (em primeiro plano) a caminho de uma de suas reportagens: aguçando seu faro jornalístico com leitura de bordo sobre o camarada Marx
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