por Edmundo Clairefont

As ondas são um exagero, o campeonato é superlativo e o vencedor leva uma bolada razoável...

Até parece simples a proeza do surfista sul-africano Grant “Twiggy” Baker (na foto abaixo). Nesta quinta, 8, ele, um estrangeiro numa maioria de locais, teve o trabalho de enfiar no long john um cheque de 30 mil dólares (65 mil reais).

Tudo por alguns dias sobre uns dois metros de poliuretano, resina e parafina, e hectolitros de água gelada e salgada. Baker, ao vencer a edição 2006 do Mavericks Surf Contest, fez parecer fácil.

Não foi. Ondas de 30 a 40 pés, 60 mil espectadores salivantes e bronzeados, 24 dos atletas mais tarimbados do mundo... 

“É o Super Bowl das grandes ondas”, mandou a revista Sports Illustrated, em menção à final do futebol americano que tem as manhas de botar os Rolling Stones para aquecer o intervalo. A CNN foi com esta: “É a mais perigosa competição no mundo”.

Há quem discuta os exageros daí de cima, mas quem se aventura pelas águas da Half Moon Bay, na Califórnia, precisa, além de um dote de estrela, a vocação de um Jacques Cousteau e um bigode de Julio Verne.

Porque é preciso amar o mar como o explorador Cousteau e ter o tino lascado de aventura dos personagens do autor de 20 Mil Léguas Submarinas. Duvida?

“O mar é gelado, com fundo com rochas pontudas e arqueadas. E tem a presença constante de tubarões brancos, além de algumas das ondas mais pesadas do planeta”. A frase, dita ao site Waves pelo lendário surfista Jeff Clark, idealizador do evento, é o pingo nos “is” de um torneio que, para pagar aluguel à sua tradição, teve dias disputadíssimos em 2006.

O "Grant" campeão
A nota 10.0 que carimbou o neoprene de “Tiggy” Baker na terceira bateria não garantiu tranqüilidade na final. Nos 60 minutos de duração da etapa decisiva, o local Tyler Smith ciscou a mão no caneco. A onda – “belíssima, enorme”, segundo quem a viu – só foi superada por uma performance perfeita do campeão.

“Baker surfou com grande entusiasmo, com um senso espiritual. É uma beleza ver a energia que ele coloca em sua performance”, diz Clark. Tanta “energia”, além dos mangos no bolso, rendeu ao sul-africano a medalha especial “Jay Moriarty” (melhor desempenho geral).

Tyler Smith, o segundo colocado, levou 10 mil dólares; Brock Little garfou o bronze e 5 mil dólares. Destaque para a atuação do brasileiro Danilo Couto, que conseguiu a vaga, mas tropeçou na segunda bateria.

 

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